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A ponte que ainda separa a universidade das escolas

Ter, 19 de Março de 2019 11:57

O blog Ciência & Matemática, do jornal O Globo, publica nesta segunda-feira artigo assinado por Débora Foguel, do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ

 

Nesse mês, prezado(a) leitor(a), minha opção foi por lhes contar sobre um programa encabeçado pela Columbia University (EUA) e que muito me lembra os famosos Cursos de Férias (CF), uma iniciativa criada pelo nosso saudoso e querido Prof Leopoldo de Meis (1938-2014), professor que dá nome ao Instituto (IBqM-Leopoldo de Meis) onde trabalho na UFRJ.

 

Há quase três décadas recebemos, em janeiro e julho, turmas de professores da educação básica (EB) que ficam por 15 dias no nosso Instituto vivenciando o “Método Científico”. Ou seja, nesse período, os professores da EB, auxiliados pelos nossos alunos de iniciação científica ou pós-graduação, idealizam experimentos, os realizam, colhem os resultados, os interpretam e tiram suas próprias conclusões acerca de temas variados na área da bioquímica (Células, Alimentos, Insetos, Fotossíntese, Contração Muscular e muito mais!!). Esses cursos são coordenados por professores do Instituto que há muito entenderam a importância dessa aproximação da universidade com a nossa EB. Não poderia deixar de mencionar que os CF são também oferecidos para alunos do ensino médio e o propósito é o mesmo: permitir que os(as) jovens experimentem o fazer ciência! Não preciso nem lhes dizer que os CF são um sucesso, inclusive, hoje, há uma Rede Nacional criada pelo professor Leopoldo e que levou essa iniciativa genial para outras universidades e localidades. Até me emociono quando falo sobre isso…

 

Mas vamos agora ao programa da Columbia, que eu tomei conhecimento em um artigo publicado dez anos atrás na revista Science (Science 326, página 440) cujo título, em tradução livre seria: “A participação de professores em programas de pesquisa aprimora o desempenho de seus alunos em ciências”. Desde que li esse artigo, fiquei pensando que o mesmo poderia ser adaptado por aqui…

 

Pequeno preâmbulo:

 

Vários estudos mostram que existe correlação entre uma sólida formação dos professores e o aprendizado dos seus alunos, ou seja, bons professores fazem a diferença! No entanto, a maioria desses estudos foi conduzida no exterior. Paes de Barros (2010), a partir de dados do SAEB, chegou à conclusão que, no Brasil, estudar com um bom professor (classificado entre os 20% melhores) resulta em 68% a mais de aprendizado do que, em média, é alcançado por um aluno, o que é bastante expressivo. Dessa forma, investir na formação do professor parece ser um grande investimento, se se almeja melhorar o rendimento dos estudantes. É nesse contexto que se inserem os CF do IBqM e o Programa de Férias da Columbia University (PFCU), que se desenvolve durante o verão nas dependências dessa universidade (veja mais abaixo mais detalhes sobre como se processa o Programa, caso tenha interesse).

 

Resultados do PFCU: Os resultados do PFCU foram surpreendentes! Comparando-se o rendimento dos alunos dos professores que participaram do PFCU (APP – alunos de professores participantes) com o rendimento dos alunos de professores que não participaram do programa (APC- alunos de professores controle), vê-se que houve uma expressiva melhora de rendimento dos primeiros em relação aos segundos. No início de Programa, a taxa de aprovação nos exames (provas específicas de ciências) era de cerca de 45%, tanto entre o grupo dos APP quanto no grupo dos APC. Depois da primeira e segunda etapas do programa (os professores da EB passam o verão em laboratórios da Columbia), a taxa de aprovação dos APP subiu para 50 e 54%, ao passo que a taxa de aprovação dos APC se manteve constante e igual a 45%. Pode parecer pouco, mas foram 10% de alunos de escolas públicas que foram bem sucedidos, simplesmente porque seus professores estavam participando do PFCU.

 

Interessantemente, embora o programa tenha custos financeiros (há pagamento de bolsas para os professores, compra de insumos para o laboratório da universidade que recebe o professor, para equipar o laboratório da escola para que o professor possa desenvolver atividades com seus alunos etc.), cálculos feitos pelos autores do estudo mostram que para cada dólar investido no programa, há o retorno de 1,14 dólar, ou seja, o programa não só se paga como economiza recursos, à medida que menos alunos repetem o ano, ficam menos em recuperação, demandam menos por tutores e etc. Além disso, observou-se que 96% dos professores que passaram pelo programa fizeram mais atividades práticas com seus alunos; 83% introduziram novas tecnologias em suas aulas, como o uso de apresentações em power point, filmes etc.; 65% passaram a ler artigos científicos; 64% passaram a discutir mais com seus alunos sobre as carreiras científicas e 53% passaram a assumir posições de liderança em suas escolas. Ou seja, o PFCU se mostrou muito exitoso, além de ter ajudado a pavimentar o ainda pantanoso caminho que há entre a universidade e as escolas….

 

Minha proposta para a criação de um PFUXB (Programa de Férias em Universidade X Brasileira):

 

Etapa1: Docentes da universidade interessados em receberem professores(as) da EB durante as férias (janeiro-fevereiro e julho) se inscrevem no PFUXB e cadastram seus Laboratórios de pesquisa descrevendo o projeto no qual o(a) professor(a) da EB irá atuar. É importante que um(a) aluno(a) de pós-graduação esteja envolvido(a) e participe ativamente da orientação/acolhida do(a) professor(a) enquanto o mesmo estiver no Laboratório ou Unidade de pesquisa da universidade.

 

Durante o período das férias escolares, o(a) professor(a) da EB frequentará em alguns dias da semana o Laboratório/Grupo de pesquisa por ele escolhido participando ativamente da vida daquele Laboratório, ou seja, se engajará em uma linha de pesquisa, sob orientação do chefe do Laboratório/Grupo de Pesquisa e do aluno(a) de pós-graduação alocado para tal. Almeja-se que o(a) professor(a) da EB experimente e vivencie o Método Científico, participando ativamente na formulação de perguntas e hipóteses, desenhando os experimentos que levarão a respostas, adquirindo/coletando dados, representando os dados obtidos e, por fim, tecendo suas próprias conclusões sobre os dados obtidos. A ideia é que esse(a) professor(a) seja um verdadeiro membro do Laboratório/Grupo que o alberga, participando de todas as atividades do Laboratório como discussões em grupo, seminários, aulas etc. Bibliografia também será fornecida e discutida com o(a) professor(a), de forma que ele(a) leia textos e artigos científicos, sempre com a ajuda do grupo da universidade.

 

A universidade poderia emitir um crachá que identifique aquele(a) professor(a) como pertencente a instituição (“Professor EB Visitante”, por exemplo), o que permitirá que o(a) mesmo(a) tenha uma conta de e-mail institucional, circule e frequente os espaços da instituição como bibliotecas, salas de seminários, museus, refeitórios, laboratórios etc. Ou seja, o professor volta a ser um membro da comunidade universitária!

Etapa 2:

 

Finda as férias, o(a) professor(a) interrompe suas atividades de pesquisa junto ao Laboratório/Grupo de pesquisa e retorna à sala de aula. Espera-se que o(a) aluno(a) de pós-graduação com quem ele(a) trabalhou nas férias possa ajuda-lo(a) a pensar aulas práticas, aulas demonstrativas, atividades em grupo, estudos dirigido, seminários, teatro, jogos, leitura de textos, atividades no computador, enfim possa contribuir com o professor na proposição de atividades inovadoras intra ou extra classe.

 

Etapa 3:

 

O Programa se repete por dois anos, ou seja, o(a) professor(a) da EB frequentará a universidade por cerca de 5-6 meses (janeiro-fevereiro e julho duas vezes) nesse intervalo de tempo, sempre retornando à escola e contando com a ajuda do(a) aluno(a) de pós-graduação e do Chefe do Grupo de Pesquisa que se tornará um parceiro daquela escola.

 

O programa tem custos…Mas, como mostrado no artigo da Science, há retorno do investimento inicial, fora os retornos indiretos, como a melhora da autoestima dos nossos professores, de fazer com que nossos estudantes de pós-graduação e professores universitários contribuam para a melhoria da educação básica brasileira!

 

Trata-se, portanto, de um projeto que visa encurtar a enorme distância que separa a universidade da escola de EB! Fica a proposta.. Pronto!!! Falei!!!!

 

Fonte: Jornal da Ciência, 18/03/2019, com informações O Globo

 
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