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Em 8 de março, a ABC homenageia Helena Nader: mãe mulher, pesquisadora e defensora da ciência brasileira

Sex, 08 de Março de 2019 17:49

“A participação da mulher na ciência brasileira é gritante, somos mais de 50% nas universidades. Então, eu não entendo porque ainda tem que ter subserviência. Eu não quero ser melhor do que o homem, eu quero ser igual. Equidade: é isso que nós queremos”, declara a acadêmica e presidente de honra da SBPC

 

Criado para lembrar e celebrar as lutas das mulheres ao longo dos séculos e que acontecem até hoje, o Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, resgata também as trajetórias de mulheres inspiradoras que tiveram de superar os desafios impostos por uma sociedade patriarcal para ascender na vida e darem sua contribuição para a humanidade. No âmbito da ciência, as histórias das pioneiras Marie Curie, Rosalind Franklin e Katherine Johnson talvez sejam algumas das mais conhecidas.

 

O Brasil, um país extremamente desigual em vários aspectos, pode se orgulhar de brilhantes exemplos na categoria de mulheres cientistas. Um relatório publicado pela editora científica Elsevier mostrou que, dentre os países pesquisados, Brasil e Portugal são as nações com a maior porcentagem de autoras em trabalhos científicos (49% do total). A biomédica Helena Bonciani Nader é um desses modelos inspiradores para meninas e meninos que desejam fazer ciência no país. Presidente de Honra da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), da qual foi vice-presidente e presidente por dez anos, hoje ela está concorrendo à vice-presidência da Academia Brasileira de Ciências (ABC), em chapa única.

 

Bacharel em ciências biomédicas e doutora em biologia molecular pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com pós-doutorado pela Universidade do Sul da Califórnia, nos EUA, a Acadêmica Helena Nader é professora titular da Unifesp e bolsista de produtividade nível 1A do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

 

É membro titular da Academia de Ciências de São Paulo e da World Academy of Science (TWAS) for the Advancement of Science in Developing Countries. Recebeu diversas honrarias: Ordem do Mérito Naval, grau Comendador do quadro Suplementar, Marinha do Brasil, 2018; Grão-Mestre da Ordem Nacional do Mérito Educativo, Presidência da República, 2018; Classics in Cell Biology, Sociedade Brasileira de Biologia Celular (SBBC), 2018; Science Service Award, Federação de Sociedades de Biologia Experimental, FESBE 2018; Ordem do Mérito da Defesa, grau Oficial, Presidência da República (2016); Medalha Carneiro Felippe, Comissão Nacional de Energia Nulear (CNEN) (2016); Ordem do Mérito Naval, classe Grã-Mestra, Marinha do Brasil (2015); Medalha Mérito Tamandaré (Marinha do Brasil) (2013); Medalha de Ouro Moacyr Alvaro (2012); Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico (2008); Prêmio Scopus 2007 (Elsevier/Capes); Professor Honoris Causa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2005); Comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico (2002), entre outros.

 

Além do trabalho de excelência na pesquisa, a professora tem se destacado, desde o início da sua carreira, na atuação política em prol da ciência, tecnologia e inovação brasileiras. Se eleita vice-presidente da ABC, será a segunda mulher a ocupar o cargo, em 102 anos de ABC, depois da engenheira agrônoma Johanna Döbereiner, em 1995.

 

Helena nasceu em 5 de novembro de 1947, na cidade de São Paulo. Passou a infância na companhia dos pais e da irmã, em São Paulo e Curitiba, no Paraná, para onde seu pai foi transferido. Ela lembra com alegria desse período: “Brincávamos de boneca, de construção, de tijolinhos de engenheiro, de bicicleta, não tinha uma brincadeira de menina ou de menino, a brincadeira era de tudo. Tive uma infância incrível”.

 

Seus pais sempre a incentivaram muito a estudar, e ela, por outro lado, também sempre gostou da escola. Sobre suas matérias preferidas na época, ela comenta: “Eu gostava muito de matemática, das ciências, física, biologia, em outras palavras, eu gostava de estudar. Tinha alegria de ir para escola, de fazer lição de casa”, ela explica.

 

Ainda na adolescência, Helena teve sua primeira experiência acadêmica no exterior, e foi cursar o último ano do ensino médio nos Estados Unidos. De volta ao Brasil, prestou o exame vestibular do Centro de Seleção de Candidatos às Escolas Médicas e Biológicas (Cescem), colocando como opções o curso de medicina da Escola Paulista de Medicina e da Universidade de São Paulo (USP), e o bacharelado em ciências biomédicas da Unifesp, criado em 1966, apenas um ano antes de seu ingresso. Esse foi o escolhido: ela conta que foi totalmente absorvida pela filosofia do curso. “Nossa turma tinha passagem direta para medicina, e dos 20, só dois elegeram essa opção ao final do bacharelado. Isso significa que foi um curso que motivou os estudantes, hoje professores no país e no exterior. O projeto pedagógico do curso permitiu descobrir talentos com vocação para essa área”.

 

Colega de curso na Unifesp e amiga de longa data de Helena, a Acadêmica Regina Markus relembra os tempos da graduação: “Desde aquela época, Helena era uma pessoa de opinião, que sabia lutar pelo que queria, e era uma pessoa de muito estudo e muitas ideias. A vida toda em que corremos juntas é uma prova de que Helena é uma pessoa que soube estar no seu tempo e a frente dele”.

 

Enquanto por um lado estava na vanguarda, nos quesitos talento e vocação, por outro lado Helena iniciou sua vida acadêmica num período conturbado da história do país: a ditadura militar. Ela lembra: “Vivi em uma época trágica do Brasil, que espero não ter que viver nunca mais. Eu tive professores e colegas presos, torturados, desaparecidos… Não foi fácil”.

 

Durante o bacharelado na Unifesp, em 1969 a Acadêmica iniciou outra graduação, em biologia, na Universidade de São Paulo (USP). Em 1970, começou o doutorado em biologia molecular na Unifesp, sob a orientação do Acadêmico Carl Peter Von Dietrich, que depois viria a se tornar seu companheiro por 22 anos, e pai de sua filha. Em 1974, iniciou sua carreira como docente na Unifesp. Entre 1975 e 1977, realizou o pós-doutorado na Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos.

 

A cientista reforça que conciliar carreira e maternidade é um grande desafio. Nader recorda do período em que ela e Dietrich criaram um grupo de pesquisa em bioquímica na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O casal se revezava entre Natal e São Paulo, para cuidar da filha Julia, ainda pequena na época. Eles encontraram um equilíbrio para que ambos pudessem continuar trabalhando, contando com a ajuda dos pais de Helena.

 

“Muitas mulheres não tiveram a sorte que eu tive. Eu digo sempre: eu sou quem eu sou começando pelo pai e mãe, pela família e pelos professores que tive”, reconhece.

 

Como pesquisadora, Nader trabalha com a heparina, um composto que evita a coagulação do sangue e impede a formação de vasos. Ela relata que muitos pensaram que, com a morte do professor Dietrich, em 2005, sua vida acadêmica teria acabado, pois como eram parceiros na vida pessoal e profissional, era ele quem orientava e escrevia os trabalhos.

 

“Mas está aí provado que eu continuei fazendo tudo isso, embora com muita saudade. Sinto saudade dele até hoje”, declara.

 

Ela orientou 46 mestres, 50 doutores e supervisionou 19 estágios de pós-doutorado, tendo atuado ainda como professora visitante da Loyola Medical School (Chicago, EUA), W. Alton Jones Cell Science Center (NY, EUA), Istituto Scientifico G. Ronzoni (Milão, Itália) e Opocrin Research Laboratories (Modena, Itália).

 

Helena Nader tem na ciência brasileira uma de suas paixões. Além de professora e pesquisadora, a cientista já ocupou diversos cargos administrativos em instituições científicas: foi vice-presidente (2007-2011), presidente (2011-2017) e presidente de honra (desde 2017) da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), presidente da Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular (SBBq, 2009-2010) e é membro do Conselho Superior da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). “Qual é a minha obrigação hoje? Preservar a Constituição e os direitos que ela garante. E lutar cada vez mais pela qualidade da educação e da ciência no nosso país, que é a única coisa que vai mudar o perfil econômico do Brasil”, afirma a Acadêmica.

 

Como vice-presidente da ABC, Nader pretende trabalhar para colocar o Brasil cada vez mais na fronteira científica mundial. Ela lembra que é a diversidade que torna as nações grandes, e dentro da Academia, ainda que lentamente, o cenário tem se tornado mais plural, especialmente com uma maior entrada de mulheres. A cientista ressalta: “A participação da mulher na ciência brasileira é gritante, somos mais de 50% nas universidades. Então, eu não entendo porque ainda tem que ter subserviência. Eu não quero ser melhor do que o homem, eu quero ser igual. Equidade: é isso que nós queremos”.

 

Ela é uma batalhadora, com uma perspectiva ampla em relação ao papel do cientista no mundo. “Eu, como Acadêmica, tenho que lutar por uma sociedade justa, e não só por uma sociedade científica mais justa. Enquanto a mulher não tiver seus direitos preservados, eu vou continuar lutando”.

 

Seja como mulher, mãe, cientista ou pesquisadora, a trajetória de Helena Nader inspira não apenas jovens meninas que querem fazer ciência: sua atitude e seu pensamento servem também de estímulo para brasileiras e brasileiros pensarem coletivamente, e lutarem pela equidade de gênero, pela qualidade da ciência e da educação, em prol do desenvolvimento do país.

 

Fonte: Jornal da Ciência, 08/03/2019, com informações ABC

 
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