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Fiocruz inicia parceria para desenvolvimento de pesquisas na Antártica

Qua, 13 de Fevereiro de 2019 13:41

O projeto terá duração de quatro anos e a equipe de pesquisadores deve embarcar na nova aventura ainda no fim de 2019

 

A Fiocruz tem seu primeiro projeto de pesquisa para a Antártica aprovado em edital do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O projeto terá duração de quatro anos e a equipe de pesquisadores deve embarcar na nova aventura ainda no fim de 2019.

 

Segundo o coordenador do projeto e pesquisador da Fiocruz, Wim Degrave, as interligações e os impactos dos ricos e variados ecossistemas da Antártica sobre a saúde dos animais, dos visitantes ou sobre o próprio continente e a América do Sul ainda são pouco estudados. “O projeto da Fiocruz vai buscar identificar novos e já conhecidos patógenos com potencial impacto sobre os ecossistemas locais ou nos outros continentes próximos, entre vírus, bactérias, fungos e helmintos, bem como avaliar a diversidade genética, virulência e capacidade metabólica e genômica dos microorganismos e vírus isolados”, explica Degrave.

 

O resultado do edital representa o início de uma longa história da instituição no continente gelado. Além de ter o projeto aprovado, a Fiocruz foi convidada a ocupar um dos 17 laboratórios da nova Base Comandante Ferraz, que deverá ser reinaugurada pelo governo brasileiro na Antártica em março de 2019. O convite aconteceu em reunião realizada com a presença da presidente da Fundação, Nísia Trindade Lima; o secretário da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (Cirm), da Marinha do Brasil, Contra-Almirante Sergio Gago Guida; o Coordenador-Geral de Oceanos, Antártica e Geociências, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Andrei Polejack; além de pesquisadores de diversas áreas da Fiocruz.

 

O convite inaugura uma inédita e importante frente de trabalho para a Fiocruz na Antártica, uma parceria que se inicia entre a Fundação e a Secretaria da CIRM e a Coordenação Geral de Oceanos, Antártica e Geociências, do MCTIC.

 

A presidente da Fiocruz afirmou estar emocionada em fazer parte de um projeto tão estratégico para o país. “A parceria com a Marinha para pesquisas na Antártica tem muitas potencialidades, como a ampliação de uma visão integrada de saúde e ambiente, além da possibilidade de fazer um mapeamento de risco de saúde. Mas talvez a maior delas seja o potencial biotecnológico que as pesquisas realizadas no continente têm. Estamos iniciando uma parceria para a defesa de um projeto estratégico de país para as futuras gerações”, destacou Nísia Trindade Lima.

 

Segundo Polejack, o motivo principal de buscar uma parceria com a Fiocruz é poder compreender o ambiente extremo e o que ele vem gerando na evolução biológica, bem como avançar na discussão sobre bioprospecção marinha.

 

“É uma imensa coragem de uma instituição renomada, que já tem um trabalho numa determinada linha, abrir uma frente inovadora dessas. O Brasil fez avanços no Atlântico como nenhum outro país. Hoje, somos líderes na região e, no entanto, não conhecemos o Atlântico. Não me resta dúvida de que a maior riqueza que habita os abismos marinhos não é a geológica, são sim os organismos e formas de vida adaptadas a grandes pressões ambientais. Chegou a hora de sairmos da nossa caixinha e não vejo outra forma de executar nossos projetos senão pela parceria institucional com a Fiocruz”, afirma o secretário.

 

Durante o encontro, foram abertas possibilidades de pesquisa em diversas frentes, como novos usos da biodiversidade marinha, biotecnologia, saúde humana e animal, biorremediação, saúde ambiental, microbiodiversidade e potenciais impactos dos ecossistemas na saúde humana e animal.

 

Para o vice-presidente de Produção e Inovação da Fiocruz, Marco Krieger, a expectativa de atuação institucional é ampla. “O projeto aprovado pelo CNPq é o alicerce inicial, mas há a perspectiva de termos uma atuação ampla a partir de áreas da Fiocruz que possam ser estratégicas para o trabalho que se pretende desenvolver na Antártica”, explica Krieger.

 

Segundo o Almirante Guida, o Programa Antártico Brasileiro (Proantar) tem um viés geoestratégico para o Brasil, considerando que o território brasileiro é o sexto mais próximo da Antártica, uma região de extrema relevância para o futuro do planeta. A nova base, com 4,5 mil metros quadrados, possui modernas instalações e uma vista privilegiada para a geleira azulada Wanda. É composta por 226 contêineres e ultrafreezers para armazenamento de amostras coletadas pelos pesquisadores do Proantar, que desde 1982 desenvolvem pesquisas em áreas como oceanografia e biologia. A nova estação poderá abrigar até 65 pessoas.

 

A Fiocruz foi convidada ainda a participar de dois comitês instituídos pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações: o Comitê de Ciências do Mar, que assessora o ministro na execução de medidas que culminem na aprovação de uma Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Mar e em seus desdobramentos; e o Comitê Nacional de Pesquisas Antárticas, que trata das atividades e interesses científicos e tecnológicos na Antártica e propõe normas e diretrizes no âmbito do Programa Antártico Brasileiro.

 

A convite do Proantar, a presidente Nísia Trindade Lima esteve este mês na Antártica pela primeira vez para visitar as futuras instalações da nova Base Comandante Ferraz.

 

Fonte: Jornal da Ciência, 12/02/2019, com informações Fiocruz

 
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