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CNPq leva projeto de meninas nas ciências a mais de 300 escolas

Qua, 13 de Fevereiro de 2019 13:36

Promover o acesso e a participação de mulheres e meninas na ciência. Esse é objetivo que motivou Unesco e ONU Mulheres a instituir o Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência, em 11 de fevereiro. Esse propósito é o mesmo que norteia 78 projetos que levarão o fazer e o pensar científico a meninas de 370 escolas públicas brasileiras da Educação Básica com apoio do CNPq

 

Promover o acesso e a participação de mulheres e meninas na ciência. Esse é objetivo que motivou a Unesco e ONU Mulheres a instituir, em 2015, o Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência, celebrado a cada ano em 11 de fevereiro. Esse propósito é o mesmo que norteia 78 projetos que levarão, a partir deste ano, o fazer e o pensar científico a meninas de 370 escolas públicas brasileiras da Educação Básica.

 

As estudantes participantes desses projetos terão a oportunidade de acompanhar pesquisas, conhecer laboratórios e refletir sobre a questão de gênero na ciência por meio das propostas aprovadas pela Chamada do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que selecionou os projetos de estímulo à inserção de meninas nas ciências exatas, engenharias e computação.

 

A chamada apoiou projetos que envolvessem até cinco escolas públicas do Ensino Fundamental II e Ensino Médio. O investimento total de R$ 6 milhões, recursos do CNPq, Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e Ministério da Educação (MEC), abrange todas as regiões do país e diversas áreas do conhecimento, desde ações de capacitação em tecnologias digitais com foco na prevenção da violência contra a mulher; pesquisas em matemática, aproveitamento de plantas e resíduos agroindustriais, astronomia e reflexões sobre estereótipos; até a capacitação de professores.

 

Segundo a Diretora de Engenharias, Ciências Exatas, Humanas e Sociais do CNPq, Adriana Tonini, essa iniciativa é um projeto de Estado que visa atingir a paridade entre homens e mulheres no que diz respeito a C,T&I. “Considerando, por um lado, os dados que apontam uma menor participação das mulheres em algumas áreas da ciência e, por outro, a necessidade de incentivar crianças e jovens para as carreiras científicas, acredito que o Estado brasileiro tem o papel de fomentar ações que abram oportunidades para que as meninas possam ter contato com a ciência, tecnologia e inovação desde os ciclos mais básicos da educação e que, uma vez escolhida essa carreira, tenham condições de prosseguir e de alcançar suas posições de maior prestígio – como, por exemplo, as bolsas de produtividade do CNPq”, afirma.

 

Inserção e capacitação

 

Um dos projetos aprovados pela chamada é o coordenado pela pesquisadora Angela Klautau, professora no Centro de Ciências Exatas e Naturais na Universidade Federal do Pará (UFPA) e bolsista em produtividade e pesquisa do CNPq, intitulado “Meninas Amazônicas nas Ciências Exatas, Engenharias e Computação”. “O objetivo é inserir as alunas de escolas públicas do Pará, nas atividades do grupo de pesquisa que eu coordeno na UFPA e também de outros grupos de pesquisa da Física da UFPA, via as dinâmicas dos projetos de extensão voltados à divulgação científica que existem na UFPA”, explicou Angela. Além das atividades de formação, como mini-cursos na área de informática para o desenvolvimento de aplicativos, por exemplo, também acontecerão visitas técnicas das estudantes e professoras do ensino básico a alguns laboratórios da UFPA, possibilitando a interação com equipamentos sofisticados de investigação, em particular relacionados à nanociência. Sobre o estímulo às meninas na ciência, a pesquisadora ressalta que “toda criança (menino ou menina) é um cientista em potencial”. Angela lembra que não há nenhum indício científico que indique que há correlação da capacidade cognitiva de um indivíduo com o seu sexo de nascimento “isto é, a racionalidade não é um atributo masculino”, aponta. Segundo ela, o menor número de mulheres na ciência, em particular nas ciências exatas, está relacionado ao não estimulo da sociedade para que as mulheres sigam esta carreira.

 

Mudança de paradigma

 

Para a professora Giorgia Mattos, doutora em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pesquisadora do Centro de Informática da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), o estímulo às meninas nas ciências passa pelo trabalho de mudança de paradigma. “Em geral as meninas sentem-se incapazes ou desconfortáveis em lidar com artefatos tecnológicos, o que tem consequências diretas sobre as suas escolhas profissionais. Nós promovemos atividades práticas que causem uma mudança de paradigma na mente destas alunas, colocando-as diretamente em contato com a tecnologia através de ações de curta duração”, explica, Giorgia, apontando parte do trabalho que realiza no projeto contemplado pela Chamada do CNPq e que vem sendo apoiado pela instituição desde a chamada anterior, de 2013. “O estabelecimento do projeto com a chancela do CNPq foi fundamental para consolidarmos as ações de incentivo. Iniciamos com apenas uma escola pública de ensino médio na cidade de João Pessoa e hoje contamos com cinco escolas distribuídas tanto na capital como nos municípios de Bananeiras (a 135 km da capital) e Itambé, já na divisa com Pernambuco (a 60 km da capital)”, completa a pesquisadora.

 

Energia e Meio Ambiente

 

Coordenadora de projeto que pesquisa a extração, caracterização e aproveitamento de plantas e resíduos agroindustriais da região nordeste, Lisiane dos Santos ressalta que construir o projeto “Energia e Meio Ambiente: Um Estímulo para a inserção de meninas, jovens e adolescentes nas áreas de Ciências Exatas e Engenharias”, apoiado pelo CNPq, “propiciou reunir um conjunto de profissionais de alto nível de diferentes linhas de conhecimento, dentro das áreas de Ciências Exatas e Engenharias, para discutir a formação e inserção de meninas, jovens e adolescentes nestas áreas”. Professora da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e bolsista PQ do CNPq, Lisiane acredita que “através da inserção de novas ferramentas nos temas de energia e meio ambiente, será possível mostrar a beleza do cotidiano nas disciplinas de exatas do ensino médio e fundamental”. Ela acredita, ainda, que a presença de alunos do ensino fundamental e médio, de escolas em diferentes graus de amadurecimento e condições financeiras, nas universidades e centros tecnológicos aproxima a ciência da comunidade. “O estímulo de apresentar as pesquisas realizadas por mulheres neste meio tende a abrir novos horizontes e propiciar oportunidades para a inserção de meninas e jovens pesquisadoras nestas áreas de estudo”, finaliza.

 

Meninas na Matemática

 

Despertar o interesse de meninas para a matemática e áreas afins é o objetivo do projeto do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), coordenado pela professora do Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Letícia Rangel. Letícia pontua que a mulher tem sido importante para o desenvolvimento da ciência ao longo da história e cita exemplos como: Hipátia de Alexandria, Maria Gaetana Agnesi, Sophie Germain, Maria Laura Mouzinho Leite Lopes e Maryam Mirzakhani. Para ela, os desafios são para ampliar e legitimar essa participação, incentivando e garantindo a representatividade feminina. “É fato que ainda há muito a avançar nesse sentido. Estamos aprendendo. No entanto, acredito que o passo mais importante, que é dar luz à questão, está sendo dado”, afirma.

 

Programa Mulher e Ciência

 

A Chamada “Meninas nas Ciências Exatas, Engenharias e Computação” é uma ação do Programa Mulher e Ciência, criado em 2005, resultado da parceria com outros órgãos. “O Programa foi estruturado a partir da articulação da Secretaria de Políticas para as Mulheres e idealizado a partir do conhecimento dos dados do CNPq sobre a participação das mulheres nas ciências. Foi uma construção conjunta entre os parceiros do Programa e a colaboração de inúmeras entidades científicas”, lembra a analista em ciência e tecnologia do CNPq, Maria Lúcia Santana Braga, que acompanha o programa desde sua concepção.

 

O objetivo do programa é fomentar a participação de meninas e mulheres nas ciências e tecnologias e tem contado várias ações ao longo do tempo tais como: Encontros Pensando Gênero e Ciências, Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero, Chamada de Apoio à pesquisa sobre mulheres, gênero e feminismos e Chamadas para atração e permanência de jovens e meninas nas Exatas, Engenharias e Computação.

 

Além disso, o CNPq tem promovido projetos de divulgação sobre mulheres na ciência: Pioneiras na Ciência, Jovens Pesquisadoras, dentre outros. O CNPq também já tomou medidas de equidade: prorrogação da bolsa em caso de parto ou adoção para algumas modalidades.

 

A diretora do CNPq, Adriana Tonini, ressalta que as diversas ações executadas pelo CNPq no âmbito do Programa Mulher e Ciência atuam em várias frentes: estimular meninas para atuarem na área de ciência, tecnologia e inovação (por meio da Chamada pública); garantir condições para que as mulheres não tenham prejuízos em seu percurso acadêmico em função de especificidades de sua trajetória (concessão de prorrogação-parturiente); bem como dar visibilidade à trajetória de mulheres que se destacaram em suas áreas de atuação e que servem de exemplos para outras meninas e mulheres (projeto Pioneiras da Ciência).

 

“O Programa Mulher e Ciência foi uma iniciativa pioneira e contribuiu para a inserção da pauta de gênero na política científica. Desde então o programa tem tido um efeito multiplicador no sentido de inspirar ações sobre o tema dentro e fora do governo federal”, ressalta Betina Stefanello, também do CNPq, à frente de algumas dessas iniciativas.

 

Fonte: Jornal da Ciência, 12/02/2019, com informações CNPq

 
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