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Fiocruz: pela inovação e autonomia

Ter, 12 de Fevereiro de 2019 16:17

Complexo Econômico Industrial da Saúde começa a ser formatado nesta terça-feira

 

No lugar de filas, problemas e restrições, a saúde vista como uma área estratégica para a geração de renda, emprego e qualidade de vida. Essas são algumas das missões do Complexo Econômico Industrial da Saúde desenvolvido na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Visto como uma grande aposta para a reestruturação produtiva da cidade e do Estado, o Complexo Econômico da Saúde já mobiliza o empresariado carioca e autoridades públicas. Na próxima terça-feira, representantes da Câmara Empresarial do Rio, Fiocruz, estado, município e redes hospitalares se reúnem para discutir a formatação do projeto. A perspectiva é que o setor da saúde se torne protagonista do processo de produção e de inovação no estado.

 

Na visão do economista Carlos Grabois Gadelha, coordenador das ações de prospecção da presidência da Fiocruz, o Complexo Econômico da Saúde se refere a todo sistema de produção e inovação e saúde. Ele envolve a indústria farmacêutica, de vacinas, de equipamentos médicos, materiais, de serviços médicos, desde os hospitais de alta complexidade até os da atenção básica. Gadelha reforça a ideia de que a saúde é um sistema produtivo integrado.

 

“A saúde representa 9% do PIB brasileiro. Além disso, 35% da ciência produzida no Brasil, publicada em revistas internacionais, são da área da saúde. Temos um potencial imenso científico, mas carecemos de uma base produtiva industrial e de serviços qualificados para atender esse sistema”, explica.

 

Segundo Gadelha, hoje o Brasil é muito mais um mercado consumidor do que de produção e de geração de tecnologia em saúde: “Não conseguimos ter políticas para saúde, para câncer, vacinas, medicamentos, doenças crônicas, do coração, doenças negligenciadas, como a leishmaniose, hanseníase e a tuberculose, sem uma base produtiva e tecnológica forte.”

 

Ainda conforme o economista, o Rio sedia cerca de 30% da pesquisa nacional em saúde e a sua produção industrial no setor está na faixa de 11%, enquanto São Paulo tem 70%. “O Rio perdeu nos últimos 10 anos cerca de 20% da sua produção na área da saúde. Empresas foram fechadas, a produção de insumos farmacêuticos e a farmacoquímica decairam. O projeto econômico do Complexo Industrial da Saúde é um dos grandes sistemas produtivos nacionais para a retomada do desenvolvimento do Brasil e da participação do estado na produção de conhecimento, tecnologia, informação, renda e emprego”, estima.

 

Conforme Gadelha, o estado não vai garantir saúde para a população se não tiver capacidade tecnológica e inovação. Ele lembra, por exemplo, que o tratamento de câncer é caríssimo e seus insumos dependem de importação.”O Rio tem uma atenção qualificada em câncer e isso não gera uma produção qualificada de produtos. Hoje, o Brasil importa por ano em saúde bilhões de reais gerando riqueza fora do país, numa área que temos um imenso potencial científico. O Rio é único para isso. Está na hora de fazer novas apostas estratégicas”.

 

Mudança de perspectiva

 

Para o economista, é preciso uma mudança de perspectiva da saúde pública, de ver o setor apenas como um problema e uma área de restrição. Ele cita que isso ocorre em países desenvolvidos como Alemanha, Estados Unidos, Japão e Coréia: “O Brasil tem de pegar o bonde da história e o Rio de Janeiro entra nisso. É preciso uma articulação forte entre as políticas em saúde, ciência e tecnologia, e a desenvolvimento econômico. Esse tripé é fundamental.” Ainda segundo Gadelha, hoje o Rio pode empregar cerca de 1 milhão de pessoas na área da saúde, da produção industrial à área de serviços.

 

Gadelha cita como exemplo o enfrentamento do Brasil pela Fiocruz na epidemia da febre amarela, da dengue, zica e chikungunya, e lembra que havia capacidade de produção e tecnologia para tanto. “A saúde é uma área de vocação do Rio. Temos que transformá-la em emprego, riqueza, renda e melhoria de qualidade de vida para a população.” O economista lembra ainda que o Rio sedia a Fiocruz, a UFRJ, a UERJ, a UFF, o Instituto Nacional do Câncer, de Cardiologia, INTO, e o Instituto da Mulher e da Criança, de Infectologia.

 

“Temos todas as peças do quebra cabeças. Uma base científica, de serviços qualificados, de setor industrial que se enfraqueceu, mas ainda está aí.

 

Precisamos de uma grande articulação entre o estado e o setor produtivo cariocas para transformar essa visão e estratégia em realidade concreta. O Rio tem todas as condições para liderar o Complexo Econômico Industrial da Saúde no Brasil”, pondera.

 

O conceito do Complexo Econômico Industrial da Saúde foi desenvolvido na Fiocruz no início dos anos 2000 e vem sendo implementado com políticas públicas pelo país. Gadelha ressalta que há muitas publicações científicas na área. “Foi uma concepção que deu origem a políticas concretas que geraram mais de R$ 20 bilhões de investimentos no Brasil “.

 

Conforme Gadelha, o Complexo Econômico da Saúde no Rio ainda não está articulado, mas o economista está otimista com o diálogo entre o governo do estado e a Câmara Empresarial do Rio: “O Rio não aproveitou as oportunidades disponíveis porque sua base científica e produtiva é subutilizada, precisa ser estimulada e melhor aproveitada”, avalia.

 

Com o desenvolvimento do Complexo Econômico da Saúde, Gadelha estima que os atuais cerca de um milhão empregos diretos e indiretos gerados pela saúde no Rio possam aumentar em 50%. A produção no Rio pode caminhar de 11% na área industrial para cerca de 20%: “São metas bastante factíveis com a consolidação do Complexo Econômico da Saúde, que daria as condições para o Rio ser uma das lideranças nessa área.”

 

Gadelha lembra ainda que a inovação e a tecnologia podem estar a serviço do SUS e da qualidade de vida das pessoas. Com atividade de prevenção eficaz é possível, por exemplo, desafogar as filas dos hospitais. O economista informa ainda que existe uma sinalização da área do financiamento governamental de que será possível financiar projetos importantes para a saúde da população.

 

Apoio empresarial

 

O presidente da Câmara Empresarial, Josier Vilar, lembra que discutiu o Complexo Econômico da Saúde essa semana com representantes dos governos municipal, estadual e Fiocruz, além de empresários de diferentes setores. Para ele, o Rio pode se apropriar e se transformar em protagonista no setor saúde.

 

“São quatro os grandes gastos na medicina: terapia intensiva, oncologia, serviços de urgência e emergência, próteses/órteses e materiais especiais. Dessas, a maioria é importada e derivada do petróleo. O Rio tem uma forte tecnologia petroquímica embarcada. Temos a Petrobras, o polo petroquímico, universidades, a Fiocruz, a Coppe a Uerj, e vários institutos de pesquisas especializados na área médica, que poderiam transformar o estado, em conjunto, em rede nacional de distribuição desses produtos, se eles fossem produzidos aqui. Com isso, seria reduzida substancialmente a nossa dependência de importação.”, reforçou Vilar.

 

Para o secretário estadual de Saúde, Edmar Santos, o Complexo Econômico Industrial da Saúde apresenta para o Rio um potencial bastante favorável na criação de empregos, de renda e de soluções para a área de saúde o que, segundo ele, gera maior eficiência, resolutividade e eficácia no modelo do SUS.

 

A articulação intersetorial, de acordo com Edmar Santos, tem sido um dos grandes diferenciais dos governos inteligentes que interagem entre si e com o mercado para gerar soluções para as necessidades do cidadão. “São ações possíveis e desejáveis pelo governo Witzel e pela secretaria de estado de Saúde, que buscam consolidar resultados assistenciais e gerenciais para a saúde”, ressalta Santos. “Hoje, não se consegue mais atuar sozinho em situações de alta complexidade sem integração, articulação e inovação”, finalizou.

 

Fonte: Jornal da Ciência, 11/02/2019, com informações Jornal do Brasil

 
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