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Novo presidente do Brasil preocupa cientistas

Ter, 29 de Janeiro de 2019 15:54

Reportagem da revista Science fala sobre as preocupações dos cientistas brasileiros com as recentes políticas científicas, educacionais e ambientais do País e seus possíveis desdobramentos

 

O Brasil é há muito tempo uma das pioneiras na política de mudanças climáticas e na diplomacia ambiental. As convenções internacionais sobre mudanças climáticas e diversidade biológica, por exemplo, nasceram durante a histórica Cúpula da Terra das Nações Unidas no Rio de Janeiro, em 1992, e o Brasil desempenhou um papel fundamental na elaboração e implementação de ambos os acordos.

 

Esse legado está agora em risco. Desde que assumiu o cargo, em 1º de janeiro, o novo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, desmantelou várias divisões do governo dedicadas às mudanças climáticas. O ex-capitão do Exército e congressista de extrema-direita também nomeou membros do gabinete que são abertamente hostis à luta contra o aquecimento global.

 

Autoridades do governo dizem que as mudanças climáticas continuarão sendo uma prioridade. Mas cientistas e ambientalistas estão preocupados. “Temos que esperar e ver o que vai acontecer, mas até agora não faz muito sentido”, diz Emilio La Rovere, pesquisador de mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Os cientistas também temem que questões religiosas possam prejudicar a ciência nas políticas do novo governo.

 

Mesmo antes de assumir o cargo, Bolsonaro decidiu desistir da oferta do Brasil para sediar a 25ª Conferência das Partes, a conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas em 2019, que será realizada no Chile em novembro. Seu gabinete não recorreu ao uso de dados e teorias científicas distorcidas para semear dúvidas sobre a realidade do aquecimento global – a estratégia usual dos “negacionistas” climáticos – mas está enquadrando as mudanças climáticas como parte de uma guerra ideológica entre a esquerda e a direita, dizem os críticos, ou entre uma agenda globalista e a soberania brasileira. O novo ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, escreveu recentemente que o aquecimento global é um “dogma” de esquerda, usado para “sufocar o crescimento econômico dos países capitalistas e democráticos”.

 

O ministério de Araújo eliminou sua Divisão de Mudanças Climáticas, que liderou os esforços do Brasil nas Nações Unidas e em outros fóruns internacionais. Todas as políticas ambientais caem agora sob um único departamento e a palavra “clima” desapareceu da estrutura administrativa do Ministério.

 

Dois departamentos do Ministério do Meio Ambiente que lidam com as mudanças climáticas e políticas de mitigação também foram rejeitados, juntamente com um dedicado ao combate ao desmatamento, a principal fonte brasileira de emissões de gases do efeito estufa. A Secretaria de Mudanças Climáticas e Florestas, à qual os três departamentos pertenciam, foi renomeada para Secretaria de Florestas e Desenvolvimento Sustentável; nem as mudanças climáticas nem o desmatamento fazem parte de seu mandato oficial. Alguns dizem que o desmatamento na Amazônia pode acelerar sob Bolsonaro.

 

Para o alívio de muitos cientistas, a agência responsável pelo monitoramento das mudanças climáticas e relatórios sobre as emissões brasileiras de gases do efeito estufa, que é parte do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), sobreviveu ao corte. “Ainda está lá, pelo menos no papel, por isso esperamos que a ciência seja preservada”, diz Carlos Nobre, climatologista aposentado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em São José dos Campos. O MCTIC é agora liderado pelo único astronauta do Brasil, o ex-piloto da Força Aérea e engenheiro aeronáutico, Marcos Pontes. Membro do partido de Bolsonaro, Pontes tem mantido bons contatos com a comunidade científica até o momento.

 

Durante sua campanha, Bolsonaro ameaçou várias vezes retirar o Brasil do acordo de Paris, o marco do acordo climático das Nações Unidas de 2015. Mas Ricardo Salles, o novo ministro do Meio Ambiente, disse em entrevistas recentes que o Brasil permanecerá no acordo enquanto rejeita qualquer “interferência internacional” em seu território, práticas agrícolas ou uso de recursos naturais. Advogado de extrema direita e aspirante a político com fortes laços com o agronegócio e a indústria, Salles tentou desviar o foco do desmatamento e dos problemas ambientais urbanos, como saneamento, poluição da água e do ar. “Vou cuidar do meio ambiente no Brasil”, disse Salles em entrevista à rádio Jovem Pan, em dezembro de 2018. “Enquanto isso, a academia pode [continuar] discutindo essa questão das mudanças climáticas; eu não sou contra isso”.

 

Outros desenvolvimentos recentes irritaram cientistas. Em 9 de janeiro, os jornais informaram que um pedido do governo para a compra de milhões de livros didáticos de escolas públicas havia sido alterado para excluir exigências sobre necessidade de fontes e de diversidade de conteúdo. Críticos disseram que a omissão abriria as portas para o criacionismo e outras formas de pseudociência ou “fatos alternativos”. O Ministério da Educação cancelou a chamada do livro algumas horas depois, sob fortes críticas. A administração de Bolsonaro disse que a remoção dos requisitos de precisão foi um “erro” do governo anterior, que negou a responsabilidade.

 

No mesmo dia, surgiu um vídeo de Damares Alves, a nova ministra do Brasil para mulheres, família e direitos humanos, dizendo que a Igreja Evangélica perdeu a influência, “ao permitir a teoria da evolução nas escolas” sem questionamentos. “[Nós] deixamos a ciência andar sozinha; e então os cientistas assumiram o controle dessa área”, disse ela. A gravação remonta a 2013; Em uma declaração oficial, o Ministério disse que as crenças religiosas de Alves não interfeririam em seu papel como funcionária pública.

 

Mas muitos viram sua declaração como mais um prenúncio de uma luta vindoura entre ciência e religião na política pública do Brasil. “Não importa quando o vídeo foi feito; importa se ela ainda pensa assim”, diz Nélio Marco Vincenzo Bizzo, professor de história da ciência da Escola de Educação da Universidade de São Paulo, em São Paulo. “O que há de errado em cientistas estarem no controle da ciência?”

 

Fonte: Jornal da Ciência, 24/01/2019, com informações Science – tradução Jornal da Ciência

 
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