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INCT atua em pesquisas para diagnóstico e vacinas contra o Covid-19

Qua, 15 de Abril de 2020 17:46

Laboratório associado a um dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT) está atuando em ações de enfrentamento à pandemia da Covid-19. É o Centro de Tecnologia de Vacinas (CT-Vacinas), do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Vacinas (INCT-V), com sede no Centro de Pesquisas René Rachou (CPqRR/Fiocruz), em Belo Horizonte (MG).

 

O INCT é um programa coordenado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTIC), que reúne, em rede, diversas instituições de pesquisa e ensino para o desenvolvimento, em cooperação, de estudos em temas estratégicos para o país.

 

De acordo com o coordenador do INCT-V, Ricardo Gazzinelli, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pesquisador sênior do Centro de Pesquisas René Rachou e bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq, a equipe mudou radicalmente sua rotina para enfrentar essa ameaça. Grande parte dos pesquisadores foram reajustados para trabalhar em duas frentes: diagnóstico e desenvolvimento da plataforma de uma vacina contra o coronavírus.

 

As ações estão reunidas no projeto Desenvolvimento de testes de diagnóstico molecular e sorológico para Covid-19, que conta,além do apoio do CNPq e MCTIC por meio do INCT, com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG). Gazzinelli coordena o estudo, que trabalha com várias plataformas de vacinas.

 

Uma delas utiliza o vírus da influenza como um vetor vacinal. Segundo o pesquisador, nesta técnica estabelecida pelo pesquisador da Fiocruz-Minas Alexandre Machado, o vírus usado é atenuado, ou seja, não replica a doença, mas induz a resposta imunológica. "Como a influenza e o Coronavírus infectam as mesmas células e tecidos, achamos que essa pode ser uma vacina eficiente", explica. O grupo está construindo este vírus da influenza expressando a proteína de superfície do coronavírus-2 (CoV-2). "A ideia é usá-la como uma vacina ambivalente, servindo contra a influenza e contra o CoV-2".

 

LONGO CAMINHO

 

O coordenador lembra, entretanto, que o desenvolvimento de uma vacina não é tão rápido como se gostaria. "Normalmente, o processo demora um ano a dois anos e meio, mesmo em tempos de urgências, como o que estamos vivendo".

 

Será preciso aguardar para a obtenção de uma vacina contra o CoV-2, por outro lado os testes se encontram a todo vapor no CT-Vacinas. Liderado por professores da UFMG, o grupo do INCT-V conseguiu rapidamente estabelecer o teste molecular em Minas Gerais.

 

Segundo Ricardo Gazzinelli, atualmente o grupo - que conta com a participação dos docentes Santuza Teixeira, Flávio da Fonseca e Pedro Alves - presta serviço para vários hospitais mineiros, além de ter repassado a metodologia para outros laboratórios da UFMG que, por sua vez, também realizam serviços para hospitais. ¿Dessa forma, o CT-Vacinas desempenhou um papel central para atender a comunidade na realização de testes moleculares do coronavírus¿, destaca.

 

Já a professora da UFMG Ana Paula Fernadez está desenvolvendo a aplicação de um teste rápido para o coronavírus que forneça o resultado em até uma hora. ¿Isso é fundamental para se fazer a triagem em uma grande população. Já tínhamos essa tecnologia funcionando, agora estamos a modificando para o enfrentamento da Covid-19¿, ressalta.

 

Gazzinelli destaca que o investimento na ciência não pode parar. "Imagine um carro: é preciso muito mais força para fazer um carro andar quando ele está totalmente parado, do que quando ele está andando - ainda que devagar. É preciso que a ciência seja financiada o tempo todo para que esses grupos não precisem recomeçar do zero quando tivermos um problema desses", ressalta.

 

CENTRO DE TECNOLOGIA DE VACINAS

 

O CT-Vacinas é um laboratório instalado no Parque tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC) com o objetivo estabelecer um ambiente de pesquisa adequado para o desenvolvimento e inovação tecnológica. Sua criação ocorreu graças à iniciativa de um grupo de pesquisadores da UFMG e Fiocruz Minas do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Vacinas (INCT-V).

 

De acordo com Gazzinelli, o INCT-V atua basicamente com três linhas de pesquisa: entendimento dos mecanismos de defesa do organismo contra processos infecciosos; aquisição de tecnologias de vacina; e testes das vacinas. Ele destaca que, atualmente, existem várias metodologias para fazer uma vacina "Pode-se usar uma proteína recombinante ou um patógeno atenuado essa variedade é muito importante, já que podemos variar nas formulações", conta.

 

Fonte: Portal CNPQ, com informações da Assessoria de Comunicação da FAPEMIG

 
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