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Açúcar branco: um falso vilão criado pela mídia leiga

Qui, 13 de Fevereiro de 2020 13:53

Não existe na literatura científica nenhuma associação direta entre o consumo de açúcar refinado e doenças como câncer, obesidade ou problemas cardiovasculares. O problema é a ingestão excessiva.

 

É comum encontrarmos em sites e publicações leigas a máxima de que o açúcar refinado branco causa danos à saúde. Alguns veículos inclusive advogam – explicitamente ou não – a substituição dele por outros tipos de açúcar, como o mascavo ou o demerara, sob o argumento de que seriam menos prejudiciais. Nada disso, porém, tem base científica sólida.

 

É o que mostrou um estudo feito pela nutricionista Brunna de Oliveira Carvalho em seu trabalho de conclusão de curso na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF/USP). Depois de pesquisar na mídia leiga quais as principais doenças associadas ao consumo do açúcar, Brunna elencou cinco das mais citadas: obesidade, câncer, doença cardiovascular, doença hepática gordurosa não alcoólica e vício em açúcar, e a partir daí fez um amplo trabalho de revisão bibliográfica.

 

Raiz do problema – Desse trabalho, caíram por terra alguns mitos. “Não existe na literatura científica nenhuma associação definitiva do açúcar refinado, especificamente, com essas doenças, embora haja artigos que dizem que o consumo de açúcar [de forma geral] pode colaborar para o aparecimento de determinadas enfermidades”, afirma.

 

“A obesidade, por exemplo, é uma doença complexa, multifatorial, que envolve questões de ordem psicológica, ambiental, social, metabólica... Produtos muito palatáveis podem levar o paciente a consumir muito e isso contribui para o desenvolvimento da obesidade. Mas não é possível associar o consumo específico do açúcar refinado branco diretamente ao desenvolvimento da obesidade. E esse mesmo padrão se repete para as demais doenças que investiguei.”

 

No caso das doenças cardiovasculares (DCV), por exemplo, grande parte dos estudos apontam para a relação entre consumo de açúcares no geral, não somente açúcar refinado, e fatores de risco para DCV, como obesidade, por exemplo, mas não relacionam diretamente com o açúcar refinado. “Assim, o que se estabelece na literatura científica é uma relação indireta. E o que a mídia leiga apresenta é o consumo de açúcar refinado branco como causa direta do quadro.”

 

Pouca diferença – Tampouco pode-se afirmar que o açúcar refinado é pior ou melhor que os demais tipos. “Em primeiro lugar, cabe ressaltar que os três tipos de açúcar – branco, mascavo e demerara – contêm sacarose em doses similares. O açúcar branco tem 98,5% de sacarose, o demerara deve conter minimamente 96% e o mascavo, para ser considerado como tal, deve conter 90%”, explicou.

 

Quanto à maior quantidade de nutrientes e compostos bioativos nos açúcares demerara e mascavo, um argumento comum na mídia, a pesquisadora diz que é verdade; porém, para que o indivíduo se beneficiasse deles, teria de ingerir uma quantidade altíssima de açúcar. “Por isso, não é sensato considerar os açúcares mascavo e demerara como fontes destes nutrientes.”

 

Tampouco vicia – “Alguns autores defendem que o consumo excessivo de açúcar, independentemente do tipo, pode colaborar para uma mudança no contínuo da saciedade, gerando um ciclo no qual o indivíduo pode ser conduzido a consumir cada vez mais açúcar, apesar da falta de um déficit energético real.”

 

O principal sistema envolvido nessas possíveis mudanças é o sistema que estimula a secreção de dopamina nas áreas em que estão neurônios responsivos a esse neurotransmissor. “Apesar de alguns estudos indicarem que alimentos como o açúcar ativam as mesmas vias cerebrais que as drogas e o álcool, é importante esclarecer que nenhum estudo conseguiu comprovar uma possível capacidade viciante do açúcar refinado branco.”

 

Refino faz mal? – Também não há evidência científica sobre isso. O açúcar branco é obtido por meio do refino do açúcar cristal dissolvido. A diferença básica entre os processos de obtenção do açúcar demerara e do açúcar cristal branco está na fase de clarificação. Para o açúcar demerara, a clarificação é realizada empregando-se apenas leite de cal, enquanto para o açúcar cristal branco, são empregados leite de cal e anidrido sulfuroso (um sulfito). O anidrido sulfuroso é uma substância obtida por meio da combustão de enxofre mineral.

 

Segundo o professor Eduardo Purgatto, integrante do Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC – Food Research Center) e docente na FCF/USP que orientou a pesquisa, é difícil encontrar na literatura artigos sobre os potenciais problemas relacionados ao uso de cal e anidrido sulfuroso ou sulfito para o clareamento do açúcar. Outros produtos consumidos pelas pessoas também recebem tratamentos com essas substâncias. “Diversos tipos de vinho são sulfitados antes da fermentação, visando eliminar bactérias do mosto que podem afetar a produção do vinho, produzindo sabores e aromas desagradáveis. Já a cal tem sido utilizada no refino de óleos vegetais”, esclarece.

 

De acordo com ele, no caso do sulfito, a ADI (acceptable daily intake) é de 0.7 miligramas (mg) por quilograma (kg) de massa corpórea. Para uma pessoa de 70 kg, seriam 49 mg por dia. Segundo o Codex Alimentarius, o máximo permitido de sulfito nos açúcares refinados é de 15 mg por kg. “Ou seja, uma pessoa deveria comer mais de 3 kg de açúcar refinado por dia para ultrapassar o aceitável no que se refere ao sulfito. Por isso o FDA classifica a substância com GRAS – generally recognized as safe”, explica. Para a cal (óxido de cálcio), o Joint FAO/WHO Expert Committee on Food Additives (JECFA) nem estabelece ADI. “Esta substância já está presente em vários alimentos que consumimos, incluindo vegetais in natura. Obviamente em quantidades toleráveis ao nosso organismo”, diz Purgatto.

 

Fonte: Acadêmica Agência de Comunicação

 
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