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Educação: as muitas escolhas que se colocam para a sociedade brasileira

Sex, 24 de Janeiro de 2020 10:39

Artigo de Vanderlan da S. Bolzani, professora titular do IQAr/Unesp, presidente da Aciesp e conselheira da SBPC

 

Publicado pela revista Nature e traduzido pelo Jornal da Ciência, o artigo do diretor da Academia Britânica, Hetan Shan, “Problemas Globais Precisam das Ciências Sociais”, (veja aqui) abre vertentes para a discussão sobre educação, tema permanente no topo da agenda brasileira. Depois de registrar com otimismo o recente chamado do governo inglês a cientistas de dados, matemáticos e físicos para colaborarem com os quadros governamentais, Shan observa que a iniciativa privilegiou os aspectos tecnológicos, em detrimento das ciências sociais e humanas.

 

Ele mostra, então, ações voltadas para políticas públicas, em nível global, que dependem das ciências sociais e humanas para a correta aplicação do conhecimento das ciências “exatas” e biológicas. Entre elas iniciativas para combater epidemias, resolver problemas ambientais ou situações de pobreza e desigualdade. “Epidemias são fenômenos sociais e biológicos”, observa, registrando o papel dos antropólogos na contenção da epidemia de Ebola, na África Ocidental. Em outro exemplo ele lembra que as questões ambientais “não são apenas desafios técnicos que podem ser resolvidos com uma nova invenção”. Para enfrentar esses desafios é necessário ter o apoio da psicologia e da sociologia, diz.

 

O enfoque é sugestivo para pensarmos a realidade brasileira atual. Parece justificável refletir sobre como, no final da linha, isto é, diante dos problemas concretos enfrentados pela sociedade, podemos nos beneficiar da convergência das diversas áreas de conhecimento e qual o lugar dessa visão integradora no desenvolvimento do país. O que deve ser levando em conta pelos planejadores da educação tendo como referência essa perspectiva integradora? O sistema de ensino superior é concebido para oferecer “janelas” de comunicação entre as disciplinas de uma e outra área, em um mundo cada vez mais interdisciplinar?

 

Outra face da questão são os caminhos que escolheremos para tratar da grande mudança já em curso no panorama mundial, gerada pela introdução crescente de novas tecnologias. Entre elas as grandes redes digitais, inteligência artificial ou novos sistemas de automação industrial com alto grau de integração e autonomia, que se convencionou chamar de Revolução Industrial 4.0.

 

O movimento traz uma evidente fonte de preocupação pois é sabido que novas ondas tecnológicas representam desemprego para trabalhadores não qualificados, ou para aqueles já consolidados nas formas de produção tradicionais. Enquanto, ao mesmo tempo, criam demandas profissionais até então inexistentes que exigem novas formações ou perfis profissionais até então, também, inexistentes.

 

Esse é um terreno fértil para a especulação, mas é evidente que somente uma ampla discussão, endossada pelo governo, com a participação convergente de educadores, sociólogos, engenheiros e especialistas qualificados pode definir estratégias responsáveis para a abordagem do problema.

 

Em paralelo observa-se que o sistema educacional de um país com mais de 200 milhões de habitantes é uma estrutura de grandes dimensões, complexa, cujos movimentos são necessariamente lentos. Qualquer mudança adotada hoje levará tempo para chegar aos resultados esperados. No entanto, o zelo do Estado e de todos os segmentos da sociedade para com o sistema educacional é vital para que nossos governantes coloquem na linha de frente das prioridades da Federação e de cada Estado a educação em todos os níveis.

 

Tal moldura, hoje objeto de preocupação de muitos educadores, profissionais de atuação em áreas estratégicas no contexto global sinaliza para a sociedade a urgência de se enfrentar essa discussão o mais rápido possível e passa necessariamente por um sistema educacional robusto em todos os cantos e recantos do país.

 

Sobre a autora:

 

Vanderlan da Silva Bolzani é professora titular do IQAR-Unesp, presidente da Aciesp e conselheira da SBPC

 

Fonte: Jornal da Ciência, 23/01/2020

 
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