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Reabertura do laboratório latino americano mais ao sul do planeta

Sex, 20 de Dezembro de 2019 15:26

O Criosfera 1, laboratório latino americano mais ao sul do planeta, foi reaberto no dia 12 de dezembro e está em pleno funcionamento. O módulo é uma ação conjunta da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Instituto Nacional de Pesquisas Espacias (INPE) e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e faz parte do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR).

 

Financiado pelo Ministério da Defesa (MD)/Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM), Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do RS (FAPERGS), foi inaugurado em janeiro de 2012 na expedição científica liderada pelos professores Heitor Evangelista (UERJ) e Jefferson Cardia Simões (Centro Polar e Climático, UFRGS), bolsista de produtividade do CNPq.

 

Atuamente, estão trabalhando na manutenção e funcionamento do Criosfera cinco pesquisadores: quatro da UFRGS e um do INPE.

 

As pesquisas desenvolvidas também estão inseridas no INCT da Criosfera, um dos institutos do Programa Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia, coordenado pelo CNPq e MCTIC.

 

O que é o Criosfera 1 e os benefícios para a sociedade brasileira

 

O Criosfera 1 é uma plataforma científica, autossustentável, usa apenas o sol e o vento para suprir toda a energia necessária aos equipamentos de pesquisa e uma estação meteorológica ao longo de todo ano. Permite investigar as interações entre as massas de ar antárticas e aquelas do Brasil, avançando o conhecimento sobre as frentes frias (friagens) e que afetam nossa produção agrícola.

 

Os sensores do módulo também amostram continuamente os componentes químicos da atmosfera. Destaca-se a medição da concentração do dióxido de carbono (CO2) atmosférico nesse que é um dos locais mais isolados e limpos da Terra. Ainda, ajuda na investigação de sinais de poluição global gerados pela atividade industrial e de mineração.

 

Os pesquisadores, acampados sobre a neve ao redor do Criosfera 1, após enfrentarem fortes ventos que abaixaram a sensação térmica para -40º C, recolocaram no ar vários equipamentos científicos (alguns parados há quase 12 meses devido à falta de manutenção).

 

Atualmente, funcionam no Criosfera 1 os seguintes equipamentos: estação meteorológica automática, medidor de concentração de CO2 (dióxido de carbono), detector de raios cósmicos e sistema coletor de aerossóis. Para que os equipamentos funcionem em um local tão remoto, o módulo deve ser energeticamente autossustentável. Assim, a energia solar e a energia eólica são fundamentais para a contínua observação de dados. O Criosfera 1 é totalmente automatizado, mas exige manutenção anual feita por expedição científica ao interior da Antártica.

 

Vida no local do Criosfera 1

 

Os pesquisadores habitam duas barracas e utilizam outras duas como cozinha e banheiro. No Criosfera 1, somente estão os equipamentos científicos, computadores e ferramentas. A temperatura nas barracas oscila ente -8º C e -18º C). A alimentação é normal, fazendo uso do maior frigorífico do mundo (o manto de gelo antártico), ou seja, congelados (carnes variadas, verduras, entre outros, são mantidas fora da barraca). Uma estufa, mantida por energia solar, derrete os congelados. Massas, arroz, cereais, queijo e, é claro, vinho chileno mantém a equipe em dieta hipercalórica, evitando hipotermia. Uma panela é mantida no fogão continuamente derretendo neve, assim, provendo água, principalmente para beber (desidratação e um perigo constante nas baixas temperaturas enfrentadas).

 

A equipe ficará no Criosfera 1 até o dia 20 de dezembro, quando então deve ser resgatada por uma aeronave com esquis.

 

Fonte: Portal CNPq

 
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