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Olhando para o futuro, podemos, passando por baixo dos muros de hoje, superar as tentativas de eclipsar a ciência

Sex, 20 de Dezembro de 2019 15:14

Sandro Fonseca de Souza, professor adjunto do Instituto de Física da Uerj

 

No dia 14 de outubro de 2019, fui agraciado com um convite para assistir, no Victoria Hall [0] em Genebra na Suíça, a homenagem organizada pela cidade aos ganhadores do prêmio Nobel de Física de 2019 – Michel Mayor e Didier Queloz, ambos da Universidade de Genebra [1], que dividiram o prêmio com o canadense James Peebles. Há cerca de 25 anos, Mayor e Queloz revolucionaram o campo da astrofísica quando anunciaram a descoberta do primeiro planeta fora do nosso sistema solar, conhecido como 51 Pegasi b. A notícia sacudiu a comunidade da astrofísica mundial e abriu o caminho para a descoberta de cerca de 4000 exoplanetas. No próximo dia 17 de dezembro, a Suíça vai lançar o telescópio espacial CHEOPS [2] para ampliar a busca por planetas fora do nosso sistema solar, que ampliará a possibilidade de estudo dos exoplanetas.

 

Tendo assistido o colóquio de Mayor e Queluz, busco registrar minhas impressões sobre o que vi durante a homenagem que a cidade de Genebra fez aos pesquisadores na noite de ontem.

 

A casa de concertos – Victoria Hall, aberta em 1890 e com capacidade para 1644 espectadores, estava lotada – um público de várias idades, principalmente jovens – em uma noite de sábado. Por cerca de 90 minutos, assistimos a apresentação de autoridades locais, da administração da Universidade de Genebra (que foi fundada em 1559) e finalmente dos dois ganhadores do Nobel. Vale ressaltar alguns pontos importantes:

 

– Alegria e empolgação do público em assistir e participar deste evento;

 

– Presença das autoridades e dos órgãos financiadores, que, há 25 anos, resolveram apostar na ideia de buscar desenvolver um aparato experimental para provar a existência de exoplanetas;

 

– A simpatia e a simplicidade de Michel Mayor e Didier Queloz durante suas apresentações, demonstrando de forma bastante leve e didática sua pesquisa, que permite que a Suíça tanto quanto seus colaboradores estrangeiros possam desenvolver uma ciência de fronteira e explorar novas tecnologias na busca de um melhor entendimento do universo ao nosso redor.

 

Fico a me perguntar por que o Brasil não consegue construir uma política científica duradoura e pungente o suficiente para que possamos ter um papel de grande protagonismo na cena mundial, de que, nos próximos 25 anos, possamos nos orgulhar. Vemos atualmente o esforço de gerações de nossos cientistas em diversas áreas do conhecimento ser colocado em xeque pela falta de visão estratégica de nossos governantes. A comunidade científica brasileira, mesmo com todas as dificuldades, tenta continuar a sua marcha para o crescimento da ciência brasileira e os benefícios que ela pode trazer para nosso país. Assim como outras nações, só teremos uma ciência forte com um grande e duradouro suporte a uma ciência básica, que é o pilar para o desenvolvimento de qualquer nação.

 

Espero sinceramente que, no ano que se inicia, possamos ter cada vez mais jovens trabalhando para o futuro da ciência brasileira, inspirados pelo que veem aqui e no exterior. Que essa esperança não seja vã – é para isso que trabalho e trabalham tantos cientistas no nosso país.

 

Sandro Fonseca de Souza é professor adjunto do Instituto de Física da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ

 

Fonte: Jornal da Ciência, 19/12/2019

 
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