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“Defensor da ciência”: Nature nomeia Ricardo Galvão como uma das personalidades científicas mais importantes de 2019

Sex, 20 de Dezembro de 2019 14:19

Com status de herói, o ex-diretor do Inpe está no topo da lista dos dez cientistas de maior impacto no mundo neste ano. “Com o caos na Amazônia, o físico se tornou um herói nacional ao desafiar o governo do Brasil”, destaca a prestigiosa publicação britânica

 

RICARDO GALVÃO: Defensor da ciência

 

Ricardo Galvão quase desmaiou quando ouviu as notícias e percebeu que estava sendo alvo de seu próprio presidente. Em 19 de julho, Jair Bolsonaro atacou um relatório sobre desmatamento da equipe de Galvão no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São Paulo. A análise do grupo incitou a ira do presidente porque encontrou um forte aumento no desmatamento na Amazônia. O presidente acusou os cientistas de mentirem sobre os dados e sugeriu que Galvão – como chefe do Instituto – estivesse conspirando junto a ambientalistas. O físico de fusão de 72 anos ficou surpreso com a acusação. “Minha esposa teve que me trazer um copo de água”, diz ele.

 

Ao invés de se apressar em reagir, Galvão se deu 12 horas para elaborar uma resposta. Depois de uma noite quase sem dormir, ele falou em defesa dos cientistas do INPE. Ele também acusou o presidente da covardia e o convocou uma reunião frente a frente – atos que ele sabia que o levariam a perder o emprego. O que ele não sabia era que se tornaria um tipo de herói, aclamado por seus colegas científicos e por estranhos nas ruas. Uma mulher até o parou no metrô de São Paulo para agradecê-lo por enfrentar Bolsonaro e ajudá-la a entender por que a preservação da Amazônia é importante.

 

“Ele perdeu o emprego porque assumiu uma posição muito clara e forte em defesa da ciência – e contra o autoritarismo”, diz Paulo Artaxo, físico atmosférico e colega de Galvão na Universidade de São Paulo. Artaxo vê paralelos preocupantes entre o governo de Bolsonaro e a ditadura que governou o Brasil entre 1964 e 1985, incluindo uma tendência a atacar qualquer evidência que não apoie seus objetivos políticos. “Precisamos que pessoas como Galvão resistam.”

 

Não foi a primeira disputa de Galvão com o governo Bolsonaro. As autoridades questionaram repetidamente a precisão dos alertas de desmatamento do INPE, que usam análises detalhadas de imagens de satélite.

 

Desta vez, no entanto, o presidente estava atacando a integridade de cientistas e uma das principais instituições científicas do Brasil. Como era de se esperar, Galvão foi demitido duas semanas depois de ter defendido o INPE, assim que a estação de queimadas começou na Amazônia. Os agricultores ateiam fogo como o último passo para limpar a terra para a agricultura.

 

A reputação do Brasil como líder ambiental vem se deteriorando nos últimos anos. O país conseguiu conter o desmatamento em mais de 80% entre 2004 e 2012, mas o controle ambiental agressivo acabou provocando uma reação política e um aumento no desmatamento.

 

Os últimos números do INPE, divulgados em 18 de novembro, mostram que uma área estimada de 9.762 quilômetros de terra – maior que Porto Rico – foi devastada entre agosto de 2018 e julho de 2019. Isso representa um aumento de 30% em relação ao ano anterior e mais de duas vezes a área derrubada em 2012. Cientistas e conservacionistas afirmam que a retórica antiambiental de Bolsonaro enviou um sinal aos fazendeiros, agricultores e grileiros de que eles podem mais uma vez limpar a floresta na Amazônia com impunidade.

 

Galvão voltou a ocupar seu cargo anterior na Universidade de São Paulo. Ele não gosta dos holofotes e se preparava para parar de dar entrevistas e se concentrar em sua pesquisa sobre fusão. Depois de receber mensagens de colegas cientistas agradecendo-o por se manifestar, no entanto, ele percebeu que tem a responsabilidade de continuar advogando em nome da ciência – e dos cientistas – diante da pressão política. “Sou apenas um velho humilde que trabalha em física”, diz Galvão. “Mas eu decidi continuar por esse motivo.”

 

Fonte: Jornal da Ciência, 18/12/2019, com informações da Nature, com tradução do Jornal da Ciência

 
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