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FoRC estuda transformar subprodutos da produção de alimentos em insumos de alto valor agregado

Qua, 04 de Dezembro de 2019 17:12

Pesquisadores buscam extrair ingredientes funcionais de resíduos da indústria alimentícia para enriquecer formulações já existentes ou gerar novos suplementos alimentares.



Resíduos da indústria de alimentos, geralmente destinados a atividades como adubação ou nutrição animal, podem ser transformados em ingredientes de alto valor agregado para acréscimo em diversas formulações de alimentos. Cientistas ligados ao Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC – Food Research Center) estão desenvolvendo pesquisas para aproveitar e agregar valor de diversos subprodutos e resíduos industriais, como os da laranja, maçã, uva, mamão, manga, papaia, chuchu e trigo. Trata-se de um material rico em compostos bioativos e substâncias benéficas ao organismo humano.

 

Outra linha de pesquisa dos pesquisadores é o aproveitamento de ingredientes oriundos de alimentos injuriados mecanicamente e rejeitados pelo mercado por sua aparência, mas que estejam em boas condições fitossanitárias. Neste caso são alimentos que possuem vitaminas, minerais e, também, fibras alimentares que podem diminuir a incidência de doenças crônicas não transmissíveis, por exemplo. “Quando armazenados de forma incorreta ou processados, e havendo subprodutos desse processamento, pode ocorrer perda de vitaminas e de compostos fenólicos, mas o mais importante é que as fibras alimentares continuam lá, porque elas dão estrutura aos vegetais. E podemos aproveitá-las”, explica o professor João Paulo Fabi, lembrando que os efeitos benéficos das fibras são reconhecidos por diversos estudos no mundo todo.

 

Segundo ele, durante o beneficiamento do trigo, 75% do que entra no processo se transforma em farinha e 25% em farelo, geralmente utilizado para ração animal. “O farelo é fonte de fibras alimentares, compostos fenólicos e proteínas. Todos estão fortemente interligados, fazendo com que ele seja bastante duro e dificultando a extração das substâncias com tratamento em água. Destaco dois polissacarídeos – os arabinoxilanos, que têm reconhecida ação probiótica; e os betaglicanos, que têm ação imunomoduladora. No laboratório, fizemos modelos de tratamento usando alta temperatura, alguns tipos de ácidos e compostos básicos, e conseguimos extrair ambas as substâncias cinco vezes mais do que com o tratamento aquoso. Esses polissacarídeos poderiam ser acrescentados em formulações já existentes ou até mesmo vendidos como suplementos alimentares.”

 

A equipe de Fabi estuda, ainda, as pectinas do papaia e do chuchu, e também o albedo do maracujá, aquela parte branquinha que abriga as sementes e também é rica em pectinas. “Os benefícios biológicos das pectinas são a imunomodulação e a diminuição do risco de câncer, por conta da fermentação e da produção de butirato. Esses efeitos ocorrem com as estruturas em sua forma natural. Mas existem alguns tipos de modificações químicas que podemos fazer nas pectinas e que podem aumentar determinados efeitos biológicos”, revela Fabi, lembrando que as pectinas modificadas de citros já são comercializadas no mercado americano.

 

“Queríamos saber se as pectinas modificadas dos resíduos de maracujá e das porções não aproveitadas de papaia e chuchu poderiam ter os mesmos efeitos das que já existem no mercado.” Em modelos in vitro, a equipe conseguiu fazer com que as pectinas extraídas levassem à diminuição da proliferação de células de câncer colo-retal. Também conseguiu fazer com que, na presença das pectinas, essas células cancerígenas se auto reprogramassem para aumentar a apoptose (morte celular programada).

 

A professora Neuza Mariko Aymoto Hassimotto, que se dedica a estudos de reaproveitamento de resíduos da produção de suco de maçã, explica que de 20% a 40% do total de frutas que entra no processamento do suco se transforma em resíduos, ricas fontes de compostos fenólicos. “Na extração do suco, parte dos compostos fenólicos vai para a bebida, mas alguns, como a quercetina, permanecem no bagaço, fazendo dele uma matéria prima rica para a obtenção deste flavonoide. A quercetina é reconhecida por apresentar diversas propriedades biológicas: é antioxidante e possui propriedades anti-inflamatórias, o que poderia impactar a saúde de maneira positiva”, diz Neuza.

 

Outra maneira de aproveitar os subprodutos da indústria alimentícia é utilizá-los como substrato para estimular o crescimento de microrganismos, como estratégia para bioenriquecer alimentos. A pesquisadora Marcela Albuquerque criou uma bebida fermentada à base de soja, bioenriquecida com uma combinação de cepas de microrganismos benéficos produtores de folato (vitamina B9). Para estimular a multiplicação desses microrganismos ela testou subprodutos de diversos alimentos, como o okara (oriundo do processamento da soja), e ainda subprodutos de acerola, maracujá, laranja e manga.

 

“Testei vários resíduos de fruta. O da laranja foi o que mais estimulou a multiplicação e a produção da vitamina pelos microrganismos benéficos. Entretanto, ele tem sabor residual amargo, o que inviabiliza sua utilização para o desenvolvimento de novos alimentos. Acabei optando pelo resíduo do maracujá, porque era o que tinha o menor teor de folato. Por ter pouca quantidade da vitamina, a probabilidade do resíduo do maracujá inibir a produção da vitamina pelas bactérias testadas nos experimentos seria reduzida.”



Fonte: Acadêmica Agência de Comunicação

 
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