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Maioria dos estados não têm laboratórios para identificar agrotóxicos em alimentos

Seg, 25 de Novembro de 2019 16:53

Os 82 laboratórios do tipo no País estão localizados em apenas 11 estados, a maioria deles em São Paulo e nenhum na região norte; testes não identificam nem a metade dos ingredientes comercializados

 

Apesar de ser o maior consumidor de agrotóxico do mundo em números absolutos, o Brasil ainda tem dificuldades em identificar se os resíduos desses produtos estão presentes nos alimentos e na água que a população consome. Um dos principais motivos é o número de laboratórios, tanto público quanto privados, com capacidade de realizar essas análises: são 82 em todo país — localizados em apenas 11 estados, sendo que mais da metade está em São Paulo e não há nenhum na região norte.

 

Os especialistas consultados pela reportagem avaliam que é um número baixo quando se compara com o uso de agrotóxicos no país. De acordo com o último boletim de comercialização de agrotóxico do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), 539,9 mil toneladas de pesticidas foram vendidos no Brasil apenas em 2017.

 

Além disso, os laboratórios brasileiros só conseguem analisar 242 dos 504 ingredientes ativos que compõem os agrotóxicos autorizados no mercado. Se um ou mais dos outros 262 restantes estiverem presentes em frutas, cereais, raízes, legumes e hortaliças, eles não serão detectados. O número e a distribuição de laboratórios no território nacional foram mapeados pela pesquisadora e química Danielle Barros Santos, da Fundação de Apoio à Pesquisa e Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec-SE) e do Instituto Tecnológico e de Pesquisas do Estado de Sergipe, que usou como base dados da Agência Nacional de Vigilância (Anvisa) e do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

 

Os laboratórios são cruciais porque, segundo a pesquisadora, é de lá que saem dados como os do último relatório do Programa de Análises de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), da Anvisa. O documento mostrou que 81% das laranjas analisadas entre 2013 e 2015 continham agrotóxico e em 12% desses casos as amostras estavam com volume de resíduo suficiente para causar uma potencial intoxicação em até 24 horas. Esses dados foram revelados em 2016, e desde então a Anvisa ainda não publicou um novo levantamento.

 

Os resultados das análises são a principal arma para trazer uma mudança real em relação a agrotóxicos utilizados de modo errado. No caso do PARA, quando identificados riscos, a Anvisa toma medidas como fiscalização, fomento de ações educativas na cadeia produtiva, restrições ao uso do agrotóxico no campo e, até mesmo, incluir o ingrediente ativo em reavaliação toxicológica, podendo retirá-lo do mercado.

 

 

Fonte: Jornal da Ciência, 22/11/2019, com informações de A Pública

 
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