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Seminário Ciência, Tecnologia e Inovação para o desenvolvimento econômico e social de Minas Gerais: algumas reflexões

Seg, 25 de Novembro de 2019 16:02

Dilza Porto Gonçalves, professora da UFMG, comenta evento realizado pela SBPC-MG e UFMG

 

Em decorrência dos ataques e das perspectivas não muito promissoras em relação ao financiamento de pesquisas, a comunidade científica de Minas Gerais articulou-se de forma a deter o desmonte total do setor. Em decorrência disso, em 20 de novembro, tivemos um dia intenso na UFMG, com o Seminário Ciência, Tecnologia e Inovação para o desenvolvimento econômico e social de Minas Gerais, que deu início a uma gama de possibilidades e discussões que podem mudar os caminhos da Ciência neste Estado, ou até influenciar pesquisadores em outras regiões do Brasil.

 

A partir da agenda elaborada pelo grupo composto por várias Universidades, Institutos, Instituições de Pesquisa, Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa, Sociedades e Agências representativas da Ciência em Minas Gerais organizou-se um Seminário para a discussão de propostas e elaboração de um Plano de Ciência, Tecnologia e Inovação para o desenvolvimento econômico e social de Minas Gerais.

 

Durante o evento, organizado pela Secretaria da SBPC/MG e UFMG, pesquisadores das mais diversas áreas do conhecimento e representando várias instituições estiveram reunidos na UFMG. O seminário foi dividido em mesas temáticas relacionando Ciência, Tecnologia e Inovação com desenvolvimento econômico e social; com formulação de políticas públicas; e, com a utilização de recursos naturais.

 

O seminário apresentou uma agenda propositiva e de resistência como resposta o desmonte das agências financiadoras da pesquisa. E, a tônica dos debates foi a comunicação do campo científico com a sociedade. Os pesquisadores foram quase unanimes em apontar dificuldades na comunicação entre as instituições de pesquisa e a sociedade civil. Por isso, é importante aproveitar os espaços na grande mídia para mostrar o que se está produzindo e buscar novas estratégias para estreitar essas relações.

 

Neste sentido, as propostas encaminhadas foram para trazer novas metodologias para os debates com a sociedade. Além de efetivamente construir relações mais horizontais entre as instituições e a sociedade civil com demandas que sejam edificadas coletivamente. Segundo o professor Marco Crocco, para o desenvolvimento econômico e social de uma determinada região é determinante que saber social seja diversificado e ampliado nessa sociedade.

 

Outro ponto apresentado pela professora Claudia Mayorca sendo determinante para o debate, que é preciso deixar claro quais são as concepções de desenvolvimento para elaborar o plano. Propondo assim, inter, multi e transdisciplinaridade nas ações e como referencial norteador foram apontadas algumas temáticas importantes como direitos humanos, desenvolvimento sustentável, territorialização, baseados nos estudos interseccionais influenciados pelas lutas feministas e antirracistas trazendo à tona questões para o debate como gênero, raça, classe, sexualidade e geração.

 

A última mesa trouxe o desenvolvimento sustentável como opção as práticas predatórias, como a mineração, esta que “amputa o meio ambiente”, nas palavras da professora Andréa Zhouri, “depois que tira não recupera”. As alternativas apontadas foram o bioma do cerrado e a agroecologia como possibilidades de diversidade econômica, segurança hídrica, alimentar, climática e econômica com o uso sustentável dos recursos renováveis. Já que as mineradoras não consideram a cultura e a economia das populações locais ao realizarem seus empreendimentos.

 

A partir dos problemas e propostas apresentadas, o Secretário da SBPC, Minas Gerais, Luciano Mendes de Faria Filho no encerramento propôs uma reflexão sobre a agenda de atividades em 2020, incluindo mais representantes dos movimentos sociais e da sociedade nos seminários buscando aproximação com as populações tradicionais, seus saberes e suas demandas. Além disso, sugeriu que o Fórum Técnico e as audiências públicas sejam espaços realmente democráticos e propositivos, que construam algo diferente do que se fez nos últimos meses.

 

Dilza Porto Gonçalves

Professora do Curso de História, na FACH/UFMS

Faculdade de Ciências Humanas na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

Residente de Pós Doutorado na FaE/UFMG

 

 

Fonte: Jornal da Ciência, 22/11/2019, com informações de Pensar a Educação

 
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