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Tratamento contra malária terá novo medicamento no Brasil

Seg, 11 de Novembro de 2019 15:47

Anvisa aprovou o uso de tafenoquina contra a malária no País. Estudo coordenado pela Fiocruz indica que substância encurta tempo de tratamento, com melhor adesão. Próximo passo será aplicação de testes de viabilidade para incluir medicamento no SUS

 

“Pela primeira vez, em quase 70 anos, o Brasil alcança o registro, pela Anvisa, de novo medicamento para o tratamento contra a malária vivax”, foi assim que o pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz Rondônia e do Centro de Pesquisa em Medicina Tropical (Cepem), Dhélio Batista Pereira, noticiou a mais recente conquista no combate a uma doença que atinge cerca de 7,5 milhões de pessoas no mundo todo, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Feito pela empresa farmacêutica britânica GlaxoSmithKline, o registro da tafenoquina foi aceito (29/10) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e, de acordo com o pesquisador, estudos clínicos coordenados pela Fiocruz comprovam que a nova substância encurta o tempo de tratamento, o que contribui para uma melhor adesão ao medicamento. O próximo passo pela Fundação será a aplicação de testes de viabilidade, em regiões endêmicas, para a completa inclusão da nova droga ao Sistema Único de Saúde (SUS).

 

Ao contrário do que ocorre com o uso de primaquina, medicamento utilizado no Brasil há mais de 60 anos e administrado no paciente diariamente por um período de até 14 dias, a “tafenoquina poderá ser aplicada em uma única dose, pois sua ação alcança mais de 20 dias, apresentando chances de cura radical. O novo medicamento atua diretamente na forma hepática da malária vivax (os hipnozoítos), evitando as chamadas recaídas, que é o retorno da doença por infecção na corrente sanguínea”, esclarece o especialista em medicina tropical.

 

Com a aprovação pela Anvisa, o Brasil se tornou o primeiro país com malária endêmica a regular a tafenoquina como medicação a ser disponibilizada à população em geral pelo Ministério da Saúde, por meio do SUS. O uso da tafenoquina foi liberado pela primeira vez em julho de 2018, pela agência regulatória norte-americana Food and Drug Administration, e em setembro do mesmo ano pela agência australiana Therapeutic Goods Administration. Essas aprovações regulatórias foram baseadas em dados de eficácia e segurança de um programa de desenvolvimento clínico global abrangente para a cura radical de malária provocada pelo Plasmodium vívax, realizado em nove países com casos endêmicos da doença, incluindo o Brasil.

 

Os estudos com tafenoquina iniciaram com o exército norte-americano há pelo menos 30 anos. No entanto, nos últimos dez anos, uma parceria entre a organização não-governamental Medicines for Malaria Venture (MMV) e a farmacêutica britânica GlaxoSmithKline, com apoio da Fundação Bill and Melinda Gates, possibilitou a fase clínica dos estudos realizados no Peru, Índia, Vietnã, Etiópia e no Brasil, nas cidades de Porto Velho/RO e Manaus/AM.

 

Estudos de viabilidade

 

O próximo passo será a realização de um estudo, pelo Ministério da Saúde, em parceria com a Fiocruz e outras instituições, para avaliar a implementação do uso do novo medicamento em pacientes com malária no Brasil. Dhélio Pereira explica que “o principal objetivo é avaliar a inclusão do teste da atividade da enzima G6PD no organismo e a escolha do tratamento, uma vez que cerca de 5% da população no país tem deficiência da atividade desta enzima em algum grau.

 

“Se o teste apontar para a normalidade, o paciente poderá tomar tafenoquina; se a atividade da enzima for moderada ou leve, poderá ser medicado com primaquina; mas se a deficiência da enzima for em grau elevado, o paciente poderá ser medicado com primaquina, de forma monitorada e semanal”, pontua o pesquisador, afirmando que o déficit desta enzima pode provocar efeitos colaterais graves ao paciente, se não ela não for identificada. A ideia é oferecer um atendimento diferenciado após o diagnóstico de malária, e orientar profissionais que atuam na rede pública de saúde quanto ao novo modelo de tratamento. O levantamento final poderá orientar estados e municípios em ações eficazes para o diagnóstico e tratamento da malária.

 

Fonte: Jornal da Ciência, 08/11/2019, com informações da Agência Fiocruz

 
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