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Recessão e Inovação – O Brasil vive com uma e precisa da outra

Ter, 10 de Setembro de 2019 16:51

Artigo de André Cabral de Souza, economista e analista do Departamento de Petróleo, Mineração e Indústria Naval da Finep

 

A UNESCO em seu Relatório de Ciência – Rumo a 2030 aponta que o Brasil vem enfrentando desde 2011 uma desaceleração de sua economia, a qual foi desencadeada, não só pelo enfraquecimento dos mercados internacionais de commodities mas, também, pelos efeitos das políticas econômicas que incentivavam o consumo.

 

Entre 2014 e 2017, o País viveu o período da maior recessão da sua história, o qual repercutiu negativamente na qualidade de vida da população e nos investimentos do governo. Hoje a economia tem dado pequenos sinais de recuperação, a qual está sendo considerada a mais fraca nos últimos 40 anos.

 

Uma matéria publicada em um jornal de grande circulação em maio de 2019 aponta que o Brasil pesou 38% de forma negativa no indicador IFO/FGV de Clima Econômico (ICE) da América Latina, seguido do México com 28%.

 

Segundo a matéria, os principais fatores que limitam o crescimento econômico do Brasil são a corrupção e a infraestrutura inadequada, seguidos da falta de INOVAÇÃO e de barreiras legais e administrativas para os investidores. A matéria cita, ainda, que para reverter esta situação o Estado terá que investir em infraestrutura, em PD&I e em educação.

 

Os impactos econômicos e sociais negativos do País influenciaram no insignificante crescimento de 1,0 % do PIB em comparação com os países da América Latina, após amargar uma evolução negativa nos anos de 2015 e 2016.

 

Se olharmos essa situação do Brasil, juntamente com as mudanças na economia mundial, onde destaca-se a atenção especial no investimento em conhecimento e inovação, podemos dizer que o governo precisará envidar maciços esforços para amenizar a crise instalada e preparar o País para a nova realidade.

 

Percebe-se que de 2010 a junho de 2019 os produtos de média-alta tecnologia e os de alta tecnologia são os que compareceram com valores na pauta de importação acima aos de exportação, gerando um saldo negativo em seus resultados. Tem-se como exceção o item “aeronaves”, cujos valores exportados foram superiores aos importados e proporcionaram um saldo positivo de R$ 34,541 bilhões. Este segmento tem a EMBRAER como uma importante partícipe, a qual sempre contou com investimentos da Finep.

 

Esta particularidade das características dos produtos e tecnologias certamente está associada a um investimento menos que proporcional à importância da P&D, como vantagem competitiva – se investirmos, nos destacamos. O Brasil é um verdadeiro laboratório de capital humano e de líderes potenciais.

 

Sabemos que o atraso tecnológico verificado no País provoca perdas incomensuráveis ao industrial brasileiro e, por conseguinte, a toda a economia nacional, que sofre com a concorrência internacional e tem constantes surpresas com o lançamento de produtos importados mais modernos. Esta situação confirma a necessidade dos investimentos públicos e privados na questão científica, tecnológica e inovativa. O empreendedorismo também é uma grande saída e oportunidade.

 

Com certeza a abertura comercial, ocorrida nos últimos tempos, vem expondo ainda mais as deficiências estruturais do País, confrontando produtores e empresas nacionais poucos tecnificados e com baixos rendimentos (na sua maioria), com os de outras economias, onde prevalece a alta tecnificação e a elevada profissionalização. Isto sem contar com as diversas formas de subsídios existentes nesses países e as barreiras impostas aos produtos nacionais. Em matéria de julho de 2019 a União da Indústria da Cana de Açúcar/UNICA, por exemplo, cita “ a iniciativa do governo da Índia de estabelecer novos subsídios à exportação de açúcar para a safra 2019/2020, que começa em outubro, e fere a livre concorrência e a competitividade do mercado internacional”.

 

Não se pode esquecer, ainda, que o mundo experimenta hoje a Bioeconomia (que temos falado desde 2014) e uma forte preocupação com o desenvolvimento sustentável, os quais justificam um esforço para se criar novos produtos ou processos, usando medidas preventivas que possibilitem utilizar o progresso científico e tecnológico para aumentar a eficiência no uso dos recursos naturais. Aqui entram temas como encapsulamento de fertilizantes, bioenergia, uso sustentável da água, meteorologia e climatologia e até blockchain.

 

Para escapar da armadilha de baixo crescimento o governo deve seguir o exemplo de outras economias, que têm procurado, em particular, fortalecer a competitividade doméstica.

 

Por essa razão, o aumento da capacidade inovadora das empresas domésticas tornou-se o cerne dos planos nacionais de ciência, tecnologia e inovação em muitos países da OCDE e nas economias emergentes.

 

Formuladores de política de diversos países têm direcionado seus investimentos para o fortalecimento da capacidade das empresas em investir em PD&I, bem como em melhorar a eficácia da combinação de políticas científicas, tecnológicas e de inovação.

 

É indiscutível que a situação da rapidez com que as coisas acontecem exige o aporte de recursos em infraestrutura, pesquisa, formação de capital humano qualificado, além de comprovar ser rentável a existência de interação entre os atores da produção do conhecimento (ICT’s, Empresas e Governo), de modo a facilitar a promoção e o desenvolvimento dos processos inovativos.

 

Com certeza não se trata de inovação disruptiva, uma vez que a realidade mundial mostra que a mesma ocorre hoje nas startups e não nas médias e grandes empresas, as quais se voltam para a incremental e fazem parcerias ou promovem aquisições de startups ou trabalham na forma do open innovation. Basta ver literatura, participar de congressos ou ouvir lideranças setoriais. A estratégia mudou.

 

Precisa-se ter em mente que o Brasil necessita de investimento nos intangíveis (como conhecimento e educação), acompanhado do aporte de recursos nos tangíveis (infraestrutura, máquinas e equipamentos) se quisermos reverter o atraso tecnológico, melhorar a qualidade de vida e minimizar deficiências ainda existentes no País. Sem um, o outro não se realiza.

 

Dentro da realidade observada, seria de bom alvitre citar a teoria da hélice tríplice de Etzkowitz (2001), a qual aponta a necessidade de interação entre universidade (geradora do conhecimento e do capital humano), onde instituições como CNPq e CAPES exercem importante papel; a empresa (que é a produtora dos bens tangíveis) e o governo (a quem cabe nortear e financiar de forma estável o processo).

 

Pela teoria da hélice tríplice, poderíamos dizer que o governo estaria representado de diversas formas e instituições (Universidades, Institutos, EMBRAPA, Finep, Fundações de Amparo, entre outros).

 

No caso da Finep (Secretaria Executiva do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) vale enfatizar a sua posição estratégica, haja vista atuar, não só, como financiadora em todas as fases do processo inovativo (da pesquisa básica até o lote pioneiro / ICT’s e empresa) mas, também, por participar ou elaborar políticas setoriais em todos estes 50 anos. Várias empresas nacionais e segmentos contaram e contam com recursos para a criação e/ou fortalecimento de suas atividades, bem como para participação nos mercados.

 

Não seria por demais dizer, ainda, que ela pode ser considerada como a difusora das prioridades nacionais e aglutinadora dos 3 personagens que compõem a hélice tríplice. Ou seja, a Finep é o ponto de intercessão destes três agentes, o que a torna merecedora de uma atenção mais que especial para o desenvolvimento econômico-social de forma sustentável e para minimização da desindustrialização da economia e do atraso tecnológico brasileiro, além de confirmar o seu potencial incomensurável em colaborar com o novo governo e seus desafios.

 

Finalizamos esta reflexão, através de Schumpeter que destacava que o sistema capitalista, por exigir uma evolução constante, sempre enfatizou a existência da inovação a qual necessita, por sua vez, para o seu desenvolvimento, da realização do investimento em P&D e em capital humano – que devem ser vistos como ferramentas de crescimento econômico e não como despesa.

 

Sobre o autor:

 

André Cabral de Souza é economista e Msc em Desenvolvimento e Agricultura pelo CPDA-UFRRJ

 

*O artigo expressa exclusivamente a opinião de seu autor.

 

Fonte: Jornal da Ciência, 06/09/2019

 
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