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Associação ao Cern abriria mercado milionário para indústria brasileira, dizem cientistas

Ter, 13 de Agosto de 2019 10:51

O governo avalia entrar como associado no laboratório europeu, mas decisão está nas mãos da área econômica, já que envolve o desembolso de cerca de US$ 12 milhões mensais

 

O Brasil pode retomar o processo de associação à Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (Cern) interrompido no início do primeiro mandato da ex-presidente Dilma Rousseff. A decisão está nas mãos da área econômica do governo.

 

Além de participar de um dos mais importantes centros de pesquisas em Física do mundo, ser associado também traz perspectivas econômicas, com a possibilidade de empresas brasileiras participarem dos editais de licitação do laboratório europeu, que movimenta milhões de euros por ano. “O CERN compra de seus membros e associados todo tipo de itens, desde papel higiênico até peças de precisão”, destaca o físico e diretor do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), Ronald Shellard. Para ele, empresas brasileiras podem não apenas vender produtos básicos, mas se beneficiar de tecnologias desenvolvidas no Cern em seus próprios produtos, com o retorno dos cientistas brasileiros.

 

“Ideias aparentemente malucas dos físicos, como medir buracos negros, traz desafios científicos interessantes”, diz Shellard. “Mas não existem equipamentos para fazer essas coisas, tudo tem que ser desenvolvido e quando você faz isso, puxa tecnologias que vão reverter para a sociedade em aplicações totalmente inusitadas, que não estavam associadas inicialmente àquelas ideias”, complementa.

 

Do ponto de vista científico, a associação abriria espaço para que cientistas brasileiros ganhem um papel de liderança em projetos desenvolvidos no mais importante laboratório do mundo, podendo chegar até a um Prêmio Nobel, aposta o físico Cláudio Lenz. Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Lenz é especialista em antimatéria e um dos poucos brasileiros que fazem parte da equipe da colaboração Alpha no laboratório europeu.

 

Em junho, o ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Marcos Pontes, fez uma visita ao Cern, na Suíça, percorreu as instalações e se reuniu com a direção do laboratório. Ele foi acompanhado de uma comitiva de secretários da pasta, de cientistas brasileiros e da missão diplomática em Genebra, chefiada pela embaixadora Maria Nazaré Farani de Azevedo. Segundo a assessoria de comunicação do Ministério, o objetivo da visita foi “conhecer a infraestrutura multilateral de Ciência, Tecnologia e Inovação e se informar a respeito das condições para eventual adesão do Brasil”.

 

Ser associado ao Cern implica, no entanto, desembolsos da ordem de US$ 12 milhões mensais, custo que acabou emperrando as negociações iniciadas em 2010 devido à crise econômica que já despontava e se agravou na mudança de governo. Claudio Lenz argumenta, no entanto, que os momentos de crise são quando se deve investir em educação e ciência. “É isso que o mundo que deu certo tem feito”.

 

Segundo a assessoria de imprensa do MCTIC, o ministro Pontes e a equipe do MCTIC estão analisando as reais condições e impactos científicos da eventual adesão do Brasil ao Cern, mas sinalizaram intenção de continuar as negociações, tendo como base o processo de 2011. “É preciso ressaltar, no entanto, que essa é uma decisão de Governo, na qual estarão envolvidas outras pastas federais, e que dependerá, em grande medida, das reformas e melhoria do cenário econômico e orçamentário federal”, completa a nota do ministério.

 

Consultado, o Cern respondeu à reportagem do Jornal da Ciência com uma nota assinada pela diretora de Relações Internacionais, Charlotte Warakaulle, afirmando que o laboratório ficou “muito contente com a visita do ministro Pontes, que proporcionou uma importante oportunidade para discutir como fortalecer as relações entre o Brasil e o Cern, na pesquisa em física, no desenvolvimento tecnológico, na inovação, na transferência de conhecimento e na educação”.

 

Ainda segundo a nota, “o Brasil se candidatou a membro associado do CERN em 2012, e espera-se que esta candidatura seja levada a uma conclusão positiva em breve, para fornecer uma plataforma mais forte para o Brasil no Cern e benefícios mais amplos para o país da pesquisa realizada aqui”.

 

O Cern foi fundado dez anos após o fim da Segunda Guerra com o objetivo de reerguer a ciência europeia que estava devastada, com vários cientistas emigrados para outros países. Em 2008 foi inaugurado o núcleo do projeto, o Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês), maior acelerador de partículas do mundo, que custou quase US$ 10 bilhões e décadas de pesquisas. O LHC é composto por um túnel de 27 quilômetros de extensão no qual feixes de prótons atingem velocidades de até 99,99% a da luz. Ao colidirem, os feixes produzem partículas subatômicas que depois são estudadas pelos cientistas.

 

A principal linha de pesquisa do LHC é o bóson de Higgs, que está atrelada à origem do universo e serve como chave para entender as demais partículas que compõem a matéria. Uma das mais importantes aplicações de aceleradores de partículas como o LHC é a cura do câncer. Pesquisadores e empresas trabalham com o laboratório europeu no desenvolvimento da chamada hadronterapia, que elimina tumores sem os efeitos colaterais dos tratamentos de radio e quimioterapia. Porém ainda não está disponível comercialmente.

 

Vinte países são membros do Cern e sete são associados, o Brasil seria o oitavo. Do ponto de vista científico, já existe uma participação no laboratório onde trabalham hoje cerca de cem cientistas e pesquisadores brasileiros, dizem os físicos Cláudio Lenz e Ronald Schellard, que acompanharam a comitiva do ministro Pontes. Também já existem parcerias e projetos em desenvolvimento conjunto entre o Cern e o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) através do Sirius, uma fonte de luz sincrotron instalada em Campinas (SP).

 

Fonte: Jornal da Ciência, 12/08/2019

 
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