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Gestores defendem prioridade para investimentos em ciência e tecnologia

Sex, 02 de Agosto de 2019 17:37

Integrantes de mesa-redonda do Medtrop-Parasito analisaram cenário nacional de fomento à pesquisa. “Os políticos é que determinam o caminho, mas sua ignorância, por enquanto, é tremenda”, observou Evaldo Vilela, novo presidente do Confap

 

Os governantes brasileiros têm defendido a necessidade de investir, primeiramente, em saúde, educação e segurança – para, em um segundo momento, voltar suas atenções à ciência e tecnologia (C&T). Mas, na opinião do presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), professor Evaldo Ferreira Vilela, o caminho correto seria o oposto: inovar em C&T visando à geração de técnicas e conhecimento capazes de reinventar o movimento naquelas três áreas.

 

“Por isso, a C&T deveria ser incluída entre as prioridades, ou ser a principal delas. Priorizar outras áreas não é a estratégia usada em nenhum lugar do mundo civilizado. O poder público precisa entender isso”, argumentou Evaldo Vilela, durante a mesa-redonda Fomento à pesquisa no Brasil, realizada no auditório da Reitoria, que integrou a programação desta segunda-feira, 29, do Medtrop-Parasito. O evento unifica o 55º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical e o 26º Congresso da Sociedade Brasileira de Parasitologia.

 

Evaldo Vilela relatou que a Fapemig vivenciou seu ápice em investimento no ano de 2015, quando era capaz de fomentar, mensalmente, R$ 12 milhões em bolsas para pesquisadores. A partir do ano seguinte, a verba destinada à Fundação passou a ser reduzida até que, no último mês de fevereiro, o governo estadual anunciou que o repasse mensal em 2019 seria de apenas R$ 6 milhões. “Tivemos que cortar bolsas de iniciação científica”, lamentou Vilela.

 

De acordo com o professor, é necessário procurar informar a sociedade e seguir tentando convencer os legisladores, com vistas a reverter a situação. “Os políticos é que determinam o caminho, mas sua ignorância, por enquanto, é tremenda”, observou o professor.

 

Compromisso público

 

Em sua exposição, a reitora Sandra Regina Goulart Almeida apresentou um panorama da pesquisa científica e tecnológica no Brasil, incluindo dados sobre investimentos, geração de patentes e publicações. Segundo a reitora, atualmente é observado o declínio no investimento dos setores públicos em C&T, e o aumento por parte do privado. “Mas não se pode fazer pesquisa básica sem apoio do poder público. Em países desenvolvidos, como EUA e Canadá, cabe ao governo 60% do investimento em pesquisa. Na Europa, a média é de 77%”, comparou.

 

Ancorando-se em relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), segundo o qual o investimento em pesquisa e desenvolvimento retorna para o PIB do país, a reitora mencionou exemplos bem-sucedidos de nações que seguiram políticas de priorização da pesquisa científica. “Tal movimento foi feito por países em momentos de crise, como Coreia do Sul, Alemanha, Israel e China”, listou.

 

A diretora do Centro de Pesquisas René Rachou (Fiocruz Minas), Zélia Maria Profeta da Luz, contou a experiência da Fundação na criação de ambientes onde se incentiva o fomento à tecnologia e à informação, com foco na recente campanha empreendida contra a febre amarela. “Ciência, tecnologia e inovação são pilares do desenvolvimento econômico, social e humano, sem os quais não é possível estabelecer políticas públicas que assegurem o acesso universal, integral e equânime em saúde”, defendeu.

 

Expansão da pós-graduação

 

A ex-secretária regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) em Minas Gerais, Adelina Martha dos Reis, abordou a expansão do Sistema Nacional de Pós-graduação, especialmente para regiões carentes do Brasil. Segundo ela, o número de cursos de pós-graduação no país cresceu 214% entre 1998 e 2017. “Por que é importante formar doutores? Porque um ambiente rico em doutores fomenta a produção tecnológica e de conhecimento. Ele beneficia empresas e negócios, que geram riqueza para a região”, introduziu.

 

Adelina Reis mencionou o caso da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) como emblemático da premissa de que “o conhecimento contamina o ambiente e gera grandes produtos”. De acordo com ela, a tecnologia de fixação de nitrogênio no solo criada pela Embrapa gera economia anual de R$ 7 bilhões. A empresa foi capaz de adaptar o cultivo de soja para as condições climáticas do cerrado brasileiro, fazendo a produção nacional em áreas com esse bioma saltar de 20%, em 1980, para mais de 50%, em 2018. “O progresso está diretamente associado à produção cientifica e à formação de gente qualificada, que é formada, em sua maioria, nas universidades públicas”, enfatizou.

 

Aporte

 

Na abertura do evento, realizada neste domingo, 28, no Palácio da Artes, em Belo Horizonte, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, anunciou aporte de R$ 50 milhões para pesquisas em doenças transmissíveis e negligenciadas. São R$ 24 milhões para pesquisas sobre doenças transmissíveis e negligenciadas, R$ 10 milhões para estudos sobre malária e R$ 16 milhões para investigações destinadas à tuberculose, no âmbito do BRICS (bloco econômico formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). As chamadas serão publicadas no portal do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

 

“Se não fizermos esses investimentos, continuaremos tendo problemas com dengue, esquistossomose e outras doenças historicamente negligenciadas”, alertou Mandetta.

 

Presente à cerimônia, a reitora Sandra Goulart Almeida lembrou que investimentos no tratamento de doenças negligenciadas são iniciativas quase exclusivas do poder público e de instituições como a UFMG. “Elas exercem papel imprescindível na elaboração de políticas que atuem na resolução desses problemas. A UFMG, por exemplo, é referência em pesquisa básica e aplicada nessa área”, afirmou.

 

Fonte: Jornal da Ciência, 31/07/2019, com informações UFMG Notícias

 
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