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Livro relata primeiros passos da ciência no Brasil

Qui, 11 de Julho de 2019 09:12

“Cadernos de Viagens” reúne 36 relatos de viajantes que andaram e viveram fazendo ciência no Brasil desde o século 18

 

Nos idos de 1789, quando a Revolução Francesa derrubava a monarquia na Europa, um dos 20 mil habitantes de São Paulo era um astrônomo português, Francisco de Oliveira Barboza, que aqui chegou a mando de Lisboa para ajudar a demarcar limites do Tratado de Santo Ildefonso, assinado com a Espanha. Foi ele, ao que tudo indica, o provável primeiro cientista da cidade – que então preparou a Táboa Perpétua do Princípio e Fim do Crespúsculo e da Saída do Sol para a Cidade de São Paulo. Na prática, um registro, dia a dia, da hora exata do amanhecer e pôr do sol paulistano. É um material precioso, como tantos outros de Cadernos de Viagens, livro que Lorelay Cury organizou e que o Andrea Jakobsson Estúdio Editorial lançou, com 36 relatos de viajantes que andaram e viveram fazendo ciência no Brasil desde o século 18.

 

Entre esses 36, figuras como Charles Darwin, o botânico Saint-Hilaire, a bióloga Bertha Lutz, o engenheiro (e barão) Guilherme de Capanema e a famosa dupla von Spix e von Martius – que saiu do Rio registrando de tudo e foi parar na Amazônia. “Chegamos a esses autores a partir de uma enquete que fiz em nosso universo, extremamente reduzido, de historiadores de ciência”, diz a organizadora. “Foram anos de pesquisa”. Ela sabia de outros viajantes importantes da época, mas fez sua escolha “pelo ineditismo e pela representatividade” – descartando quem já tivesse seu trabalho divulgado.

 

As 224 páginas alternam ilustrações raras da flora e da fauna brasileiras, mapas dos lugares por onde esses autores estiveram e preciosas fotos das páginas onde eles escreviam sobre o resultado de suas andanças. Borboletas, abelhas, tatus, flores e folhas de incontável variedade se sucedem no Caderno. “Mais do que beleza”, ressalta Lorelei, “o que desperta emoção são as marcas transpostas para o papel. Manchas, mofos, rasgões, páginas corroídas, falta de tinta e aproveitamento de cantinhos de páginas deixam evidente o percurso do documento no tempo.”

 

Leia na íntegra: O Estado de S. Paulo

 

O Estado de S. Paulo não autoriza a reprodução do seu conteúdo na íntegra para quem não é assinante. No entanto, é possível fazer um cadastro rápido que dá direito a um determinado número de acessos.

 

Fonte: Jornal da Ciência, 10/07/2019

 
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