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Demonstrar o impacto de pesquisas para a sociedade desafia agências de fomento

Qui, 09 de Maio de 2019 08:46

 

André Julião  |  Agência FAPESP – As diferentes sociedades têm expectativas diversas em relação ao impacto da pesquisa. Muitas buscam resultados imediatos dos investimentos públicos feitos em pesquisa em diferentes áreas do conhecimento. No entanto, chefes de agências de fomento alertam que não se pode perder de vista que muitas pesquisas só geram impacto muitos anos depois de realizadas, sendo, portanto, um estoque de conhecimento para o futuro.

 

A crescente demanda por impacto da pesquisa e as alternativas de resposta a esse anseio foram temas central da 8ª Reunião Anual do Global Research Council (GRC). Realizado em São Paulo, o encontro reuniu cerca de 50 dirigentes de agências de fomento de 50 países nos cinco continentes, entre os dias 1º e 3 de maio, em São Paulo.

 

O encontro foi organizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), pelo Consejo Nacional de Investigaciones Científicas e Técnicas (Conicet), da Argentina, e pela German Research Foundation (DFG), da Alemanha.

 

Molapo Qhobela, CEO da National Research Foundation, da África do Sul, disse que essa demanda sempre ocorreu, mas que provavelmente cresceu na última década e meia.

 

“Em alguma medida, os sucessos da ciência levaram as nações a acreditar no poder do conhecimento para desenvolver suas sociedades. Logo, à medida que mostramos que esse poder pode mudar a vida das pessoas, elas esperam que isso aconteça e passam a demandar mais. Creio que essa demanda aumenta de tempos em tempos”, disse.

 

Para Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, essa demanda faz com que, além da preocupação natural em gerar impacto nas pesquisas, universidades e agências de fomento passaram a aumentar os esforços para demonstrar à sociedade como se dá esse impacto.

 

Brito lembrou que a pesquisa guiada pela curiosidade deve continuar sendo incentivada, mesmo porque muitas delas só mostram a que vieram muitos anos depois.

 

“Aqui no Brasil, nos anos 1970, decidiu-se usar etanol para abastecer os carros porque tínhamos um problema com o preço da gasolina. Então teve-se a ideia de plantar cana-de-açúcar e abastecer os veículos com o álcool advindo dela. Apenas depois de 10 anos é que se deu conta de que isso era uma boa ideia também para reduzir emissões de gases do efeito estufa”, exemplificou.

 

Avaliação ex post

 

Para atender a essa demanda da sociedade, governos, universidades e agências de fomento em diferentes partes do mundo estão criando mecanismos para avaliação de impacto ex post, ou seja, depois da publicação dos resultados da pesquisa.

 

No Reino Unido, cada departamento em cada universidade deve contribuir para um portfólio com estudos de casos do impacto de suas pesquisas nos últimos sete anos. O primeiro critério é o número de pessoas alcançadas.

 

“Se você melhora a qualidade de vida de milhões de pessoas, isso é um grande impacto. Por outro lado, se você salva as vidas de um número relativamente pequeno de pessoas, isso continua sendo um grande impacto”, disse David Sweeney, presidente da Research England e chair executivo da United Kingdom Research and Innovation (UKRI).

 

Áreas como humanidades também têm seu impacto avaliado, incluindo, por exemplo, os estudos em História que contribuam para o turismo em determinadas regiões, ou de Filosofia, que ajudam a estabelecer uma ética para as iniciativas relacionadas às mudanças climáticas.

 

“Há bastante oportunidade para os pesquisadores na área de humanidades demonstrarem impacto de seu estudo, mas por critérios determinados por outros profissionais nessas áreas, não por impacto econômico, por exemplo, como é feito num grande investimento de pesquisa em engenharia. Os princípios gerais são os mesmos. Esperamos que acadêmicos que trabalhem na área determinem os critérios relevantes para aquele campo”, disse.

 

Na Indonésia, a infraestrutura de pesquisa tem sido aberta para outros atores que possam usá-la além dos membros das universidades.

 

“Nos últimos três anos, temos pedido para os centros de pesquisa abrirem sua infraestrutura também para o setor privado, incluindo a indústria. Isso significa colaborações entre todos os tipos de usuários”, disse Laksana Tri Handoko, chairman do Indonesia Institute of Sciences (LIPI).

 

Para a diretora de cooperação internacional da Secretaría Nacional de Ciencia, Tecnología e Innovación do Panamá, Claudia Guerrero Monteza, é preciso trabalhar melhor a compreensão do que seja impacto social da pesquisa e torná-lo parte de políticas e instrumentos de financiamento à pesquisa.

 

“No Panamá, por exemplo, cientistas que estão comprometidos com a sociedade finalmente internalizaram a preocupação com o impacto social. Aprendemos que isso implica implementar códigos de ética e compreender as consequências de métodos participativos em que compartilhamos e produzimos visões de mundo, conhecimentos e práticas com as pessoas”, disse.

 

Neste ano, o Zimbábue pretende iniciar estudos para entender melhor os impactos de suas pesquisas. “Um modelo para realizar essa avaliação ex post pode ser desenvolvido para ser então adaptado e utilizado por outros países africanos. Isso deve ser nossa prioridade, haja vista a maior demanda para demonstrar impacto na África”, disse Susan Muzite, diretora executiva do Research Council of Zimbabwe (RCZ).

 

Ecossistemas diferentes

 

Para John-Arne Røttingen, diretor-geral do Research Council da Noruega, há diferentes papéis e responsabilidades e diferentes contextos: há organizações em que o único papel é financiar pesquisa básica, enquanto outras precisam entregar inovações à sociedade.

 

“Acho que isso não é uma escolha. Os ecossistemas de pesquisa e inovação têm que ter todas essas capacidades e a sociedade vai continuar demandando mais evidências e mais medidas diretas. Sabemos que é difícil, mas é possível demonstrar esse impacto ex post”, disse.

 

Røttingen disse que as agências precisam ser claras nas diferentes abordagens que esse ecossistema precisa ter, e que, num contexto global, é normal que algumas sociedades sintam uma necessidade mais urgente de inovação e aprimoramento do que outras.

 

“Temos que respeitar essas diferenças e empoderar todos estes atores para que haja tanto o impacto de longo quanto de curto prazo. Temos de investir de forma sustentável em sistemas de pesquisa e inovação para contribuir para o desenvolvimento desses lugares”, disse.

 

Mais informações sobre a 8ª Reunião Anual do Global Research Council: www.fapesp.br/eventos/grc.

 

 

Fonte: Agência FAPESP

 

 
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