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Investimento em Ciência e Tecnologia e o Futuro do Brasil

Seg, 06 de Maio de 2019 11:03

 

“Em médio e longo prazo, os efeitos destes contingenciamentos serão catastróficos, uma vez que, além de estagnar a pesquisa em áreas estratégicas e importantes para o desenvolvimento do país, impactam enormemente em todo investimento já feito até aqui e que corre, inclusive, o risco iminente de ser perdido”, alerta Paula Bueno, representante do Comitê Jovens Pesquisadores da Sociedade Brasileira de Química (JP-SBQ)

 

Cortes e contingenciamentos no aporte financeiro destinado à área de Ciência e Tecnologia no Brasil foram assuntos e diversas discussões ocorridas nas sociedades científicas nas últimas semanas. Reduções orçamentárias têm sido feitas desde 2014, sendo que no mês de abril de 2019, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), já atuando com orçamento reduzido, foi surpreendido com um novo contingenciamento de 42,27% de suas verbas. Isto significa subjugar o investimento em pesquisa a níveis críticos, o que refletirá em perda de autonomia e independência do nosso país na produção de conhecimento.

 

Há de se destacar que estes constantes cortes orçamentários afetam diretamente as agências de fomento e suporte à pesquisa, tais como a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e o CNPq (Conselho de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), entidades que têm posição de destaque na disponibilização e repasse direto de recursos às universidades públicas brasileiras, que são responsáveis pela produção de 99% da ciência básica e aplicada no Brasil, em áreas estratégicas para o desenvolvimento do país.

 

A concretização de um corte orçamentário desta magnitude causa, além dos impactos negativos previstos em infraestrutura, manutenção de equipamentos e aquisição de consumíveis, uma considerável perda de capital humano, que se estende desde a formação de profissionais qualificados para o desenvolvimento da própria pesquisa, até a prestação de serviços à população, decorrentes de projetos encampados nas universidades públicas que se estendem à sociedade. A condução de inúmeros projetos de pesquisa e extensão não seria possível sem a atuação de bolsistas de iniciação científica, mestrado, doutorado e de pós-doutorado, os quais se dedicam exclusivamente às instituições onde atuam, mesmo sem possuir qualquer vínculo empregatício.

 

Além disso, investimentos concretos em educação, capacitação profissional e desenvolvimento de recursos humanos são essenciais para que o mercado de trabalho receba profissionais qualificados e devidamente preparados para a solução de problemas de toda ordem, num país onde o desenvolvimento dos setores produtivos de bens e serviços carecem de modernização e investimentos para se tornarem competitivos no mundo atual.

 

Áreas como saúde pública, medicina, agronegócio, desenvolvimento de fontes de energia renovável, de tecnologias para a promoção de maior valor agregado às matérias primas brutas, de melhor manejo de recursos minerais, de mecanismos de proteção e de maior conhecimento da nossa biodiversidade, de prevenção e remediação de mudanças climáticas, dentre outros, são essenciais e requerem grandes investimentos em pesquisa. Ciências como física, matemática, astronomia, química, desenvolvimento de softwares e ciência da informação, bem como o fomento às artes, arquitetura, esportes, desenvolvimento social, relações públicas e internacionais, dentre tantas outras, necessitam de constantes investimentos em formação de recursos humanos e provimento de recursos para que se continue a produzir conhecimento para melhorar a vida de nós, brasileiros e a vida e bilhões de pessoas do mundo todo.

 

Sendo assim, ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), aos parlamentares e representantes no governo, solicitamos que os cortes orçamentários e as políticas de fomento à pesquisa Brasileira sejam cuidadosamente revistos, objetivando proteger, valorizar e promover o desenvolvimento da Ciência no Brasil.

 

À iniciativa privada, pedimos maior envolvimento e coparticipação nos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, cujos ganhos são inegáveis e resultarão também na geração de novas tecnologias e de inovações, essenciais para construção da riqueza de um país.

 

Setores industriais construídos com forte investimento em pesquisa e desenvolvimento são bases de sustentabilidade econômica e social. Isto é vital se quisermos alcançar a soberania mundial e nos alinharmos com a Agenda 2030 ONU para o Desenvolvimento Sustentável.

 

Finalmente, à população, convidamos a se juntarem a nós, professores, pesquisadores e jovens estudantes nesta reivindicação tão importante para todos brasileiros. A participação da nossa sociedade é extremamente importante. Um país instruído, onde seus profissionais tenham formação acadêmica de qualidade, é capaz de promover muito mais oportunidades de melhoria de renda e promoção social. Este é o desejo de todos nós jovens que almejamos oportunidades para todos. Assim, pedimos que se mantenham informados a respeito da relevância do que significa investimentos para ciência e tecnologia nacional e o que significa um corte de 42,27% no baixo orçamento já existente. Ciência e Tecnologia são investimentos, nunca gastos ou custos. Em médio e longo prazo, os efeitos destes contingenciamentos serão catastróficos, uma vez que, além de estagnar a pesquisa em áreas estratégicas e importantes para o desenvolvimento do país, impactam enormemente em todo investimento já feito até aqui e que corre, inclusive, o risco iminente de ser perdido.

 

Ribeirão Preto, 29 de Abril de 2019.

 

Atenciosamente,

 

Dra. Paula Bueno

 

Comitê Jovens Pesquisadores, Sociedade Brasileira de Química (JP-SBQ)

 


Fonte: Jornal da Ciência, 30 de Abril de 2019

 
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